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27/09/2009

Esse Brasilzão

Numa dessas ocasiões em que a vida brinca de romancista, o calango saiu lá do nordeste e aterrissou cá no sul.

Ele odiava polenta.
Ela cresceu aqui. Aprendeu no berço que eram "tutti buona gente, ma tutti ladri".
Ele se apaixonou pela polenteira, mas ainda odeia polenta.
À primeira vista, eles parecem iguais. São intelectuais (não são pseudos , Ju).
Na segunda olhada, as diferenças gritam.
Mas, olhando de novo, fica evidente que essas diferenças se completam.
Marcaram a data do casamento.
A daminha e o pagem representavam bem os extremos que se uniam aqui no frio (ops! aqui no sul).
Ela, a mini noiva, também criada à base de polenta. Ele, o homenzinho, sobrevivente das guerras de buscapé.
Todos reunidos na igreja para o ensaio, e a mãe da daminha, preocupada em recepcionar bem os visitantes vindos de tão longe (Feira de Santana), recomenda à filha que interaja com o pagem, que permanecia amuado em ambiente que, embora receptivo, lhe era completamente estranho.

- Filhinha, vai lá conversar com ele, tadinho, não tem amiguinhos aqui.

A menina, com a timidez característica da idade, se mostra um pouco arredia.

- Mas o que que eu vou falar com ele, mamãe. Nem o conheço...
- Ah! Filha, pergunta alguma coisa.
- Hummm! Então vou perguntar em que escola ele estuda.
- Não, amor. Essa pergunta não adianta, porque qualquer que seja a escola dele, tu não conheces. Ele mora muito longe. Pergunta outra coisa.

E a pequena, no alto da sabedoria adquirida em seis anos de vida, responde à mãe:

- Ah! Mamãe, então nem vai dar pra conversar com ele mesmo, porque ele não vai me entender. Ele fala baianês.


9 pensamentos:

Mitti disse...

eu não entendi Maitê......

Lara disse...

Hahahhaa
Criança é mesmo uma delícia!
beijos

Gutemberg disse...

Mario Vargas Llosa, escritor peruano, em um de seus livros disse que “toda vida vale um livro”, mas nunca pensei em minha vida como um romance, nunca vi um roteiro, um script... a narrativa proposta por você me fez rever alguns pontos já perdidos no baú da memória e, principalmente, atribuir-lhe linearidade. Depois de um domingo de mexidas em um panelão de vatapá, as mãos já não me obedecem como deveriam, mas nada que me impeça de agradecer o post e me sentir lisonjeado com ele. Agradeço de coração, hoje começa um novo capítulo neste romance louco que chamamos de Vida, não por ter nada especial, mas pelo fato de encontrar na simplicidade da manhã, motivos suficientes para seguir escrevendo este maravilhoso texto que é viver. Obrigado por tudo.

Claudia Formentin disse...

Agora me vejo em grande filme de amor. Quem sabe uma comédia romântica daquelas que a gente ri e chora ao mesmo tempo. É, já diz a música 'O amor é filme' e esta manhã raiou (mesmo sem os raios de sol) com cheiro de menta e pipoca. Porque eu amo... É uma honra ver a nossa vida escrita por mãos tão habilidosas e carinhosas. Ah, e o dia de ontem mostrou que existem mais semelhanças entre a polenta e o vatapá do que imagina a nossa vã filosofia. Obrigada Maite.

Maite Lemos disse...

Guto e Cláudia,

Que bom que gostaram.
Levantei a uma hora da manhã pra escrever este post.
Um daqueles casos em que a inspiração não nos deixa dormir.
Eu que agradeço a voces pela amizade, pelo carinho, pelas macarronadas e moquecas (e pelo vatapá).
Tenho certeza que ainda teremos muitos posts para serem publicados.

Bjnho

(e, dessa vez, concordei com os dois)

NeideCosta disse...

Vamos marcar e você vai esperimentar a minha polenta rsrsrsrs

Anônimo disse...

hahahaha....



Sim...mas quem vem pro Sul que fale o "sulês"...
hehehe....gostei da hístória...

bjinn

Cláudiaaaaa

Ricardo Chicuta. disse...

Olha que já convivi com muitos nordestinos e realmente não é muito fácil entendê-los.Mas viva as diferenças.

Gi disse...

Hey!! Tô meio off na Blogosfera, tanto mas tanto que quando fui no meu até espirrei com tanta poeira!!

Mas ja conhecia o teu blog através da Fer, e sempre que posso dou uma fuçadinha por aqui!!

beijao

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