Esse é apenas um desabafo de alguém que cresceu acreditando que não sabia desenhar.
O sacrifício que era transferir para a folha uma impressão qualquer através de traços que desempenham o milagre da gravura ficou evidente logo nos primeiros anos.
Que triste!
Até o sol ficava estranho. E uma bonequinha, então... piada.
Aí, esse alguém seguiu, consolado por livros, já que a caixa de lápis de cor não servia para muita coisa.
A frustração da infância foi sendo diluída nas páginas dos livros e as palavras, que se mostravam pálidas, foram se colorindo de significados.
A impressão de formas e cores despertadas pelo simples agrupamento das letras começou a clarear possibilidades que não se imaginava.
E então, a descoberta:
- Eu sei desenhar!
Claro!
As letras, desde que bem reunidas, são capazes de produzir palavras que, desconexas, representam visões surrealistas, quando objetivas e reais levam à imagem renascentista ou se exageradamente trabalhadas desenham em rococó.
Textos bem alinhavados remetem a visões detalhadas daquilo que se escreve.
Então, ao escrever, ocorre a busca por transcender os traços tipográficos e transmitir mensagens que, se não tem a forma logo percebida por seus olhos, mas devem pintar sensações em sua alma.
Já contei que sou viciada em América/Brasil Next Top Model?
Não, né. Nem deveria.
Mas, eu confesso.
Não perco um episódio.
Tem que ser uma coisa muito séria, compromisso inadiável, pra me tirar da frente da televisão na quinta-feira a noite.
Não acompanho nenhuma novela.
Adoro séries policiais, mas vejo apenas quando dá.
O único programa que interfere na minha agenda é a competição de modelos, sejam elas americanas ou brasileiras.
A versão brasileira, então, nem se fala.
Como eu não sou de perder muito tempo com a mesma mania, acredito que daqui a pouco essa obsessão passe.
Taí o CSI, pra provar isso.
Desde o episódio final de temporada dirigido pelo Tarantino que eu não consigo mais assistir.
Enjoou.
Quanto ao ANTM, não sei explicar o que que eu vejo de bom ali.
Não gosto da Tyra (apresentadora), não simpatizo com nenhum dos outros jurados, inclusive a Paulina Porizkova (modelo que substituiu a Twigg nessa temporada) é uma estúpida.
Cheguei a cogitar abandonar à série ao assistir aos jurados chamarem uma modelo de monstrenga durante uma sessão de eliminação.
Tá certo que a moça era uma monstrenga mesmo. Mas não se diz isso pra ninguém. Principalmente num programa de TV. E, mais principalmente ainda, num programa de beleza.
Mas passou uma semana e lá estava eu de novo. Obcecada.
Tá, Maite. Já provaste que não és tão inteligente quanto parece! E agora?
Agora que eu tô aqui pagando de tapada, consumidora compulsiva de reality show, porque ontem foi a final da 10ª temporada americana e, pela primeira vez, a vencedora foi uma modelo tamanho GG.
O que?
Isso mesmo.
Whitney Thompson se destacou desde o início por ter um rosto lindo e... formas avantajadas.
Não sei onde eu andava com a cabeça durante toda a temporada, por que a Whitney não era a minha favorita.
Até o último momento, não acreditei que ela pudesse ganhar.
Mas ganhou.
E, assim como Lizzi Miller, provou que dá pra ser bonita, muito bonita, sem parecer um palito.
Eu continuo ambicionando recuperar minhas formas da pré-adolescência, assim como tem gente que ambiciona um encontro com deus no dia do juízo final.
Sem chances!
Mas a vitória da moça GG num dos programas mais importantes do mundo sobre beleza me deixou a um passo de jogar a caixa de sibutramina no lixo e ser feliz.
Desincubidas da hercúlea tarefa de manter o peso abaixo de valores naturalmente humanos, as fofinhas de Renoir podiam despir-se tranquilamente.
Confiantes da sua real beleza, não conheciam o Photoshop e não identificavam por um número, ou nome, cada novo buraquinho que lhes surgia nas coxas.
Não suavam em academias e não desmaiavam de fome.
Não cometiam o sacrilégio de rejeitar um saboroso prato de comida, doce ou salgada, nem recitavam de cor a tabela calórica com todos os alimentos imagináveis incluídos.
E por falar em calorias... como são deliciosas!
Cristo! Eu não sei quem criou os dinossauros (outra hora explico isso), mas quem inventou as calorias, com certeza, foi o diabo.
O coisa ruim provavelmente jogou sobre as mulheres a maldição das calorias para vingar-se dos chifres.
Agora, compadecido com nosso sofrimento, começa a dar ares cansado nos permite uma leve esperança de que dias melhores virão.
A revista norte americana Glamour, especializada no universo feminino, experimentou recentemente a inédita reação de centenas de fãs que, ao se depararem com uma simples fotografia, manifestaram toda a sua admiração e, inclusive, gratidão à revista e ao objeto da foto.
O objeto em questão é, nada mais nada menos, que a modelo Lizzi Miller. E o motivo de todo o seu sucesso nas páginas da Glamour é, simplesmente, sua barriga.
Isso mesmo.
SUA barriga.
Não a barriga de um tratador de imagem mestre nos segredos do Photoshop.
A barriga de Liizi é normal. Como a minha. Como a de praticamente todos vocês.
E eu, como os leitores da revolucionária revista, há muito tempo não me sentia tão bem diante de uma imagem.
Tentei ler "Veronika decide morrer" há alguns anos.
Não consegui chegar ao fim.
É bem verdade que não se deve falar sem conhecimento de causa mas, a julgar pela crítica que a revista Veja desta semana fez do filme que é uma adaptação do livro do bruxo, segundo a qual o mesmo foi fiel à obra de origem, sou levada a concluir que, assim como os livros de Paulo Coelho agradam àqueles que não gostam de ler, a versão filmada deve convencer a turma que não curte cinema.
A Damyller é uma indústria de confecção aqui de Santa Catarina.
Há alguns anos não passava de uma marca modesta, pouco expressiva, limitada ao cenário regional.
Não estou falando sobre volume de vendas ou coisa do gênero. Desconheço estes dados sobre a empresa e, para o assunto que estou abordando, realmente não vem ao caso.
De repente a empresa deu uma guinada na imagem e reposicionou a marca em todo país.
Eu me lembro de uns outdoors que misturavam pessoas de verdade com elementos do jeans.
Por exemplo, uma modelo com a boca com uma textura de jeans, como batom.
Eu, particularmente, não gostei dessa campanha. Mas, acho que foi a partir daí que as coisas começaram a mudar.
Sou leitora assídua da Elle e percebo que colocar um anúncio de uma marca qualquer na revista, não é muito difícil.
Deve ser caro.
Mas costumo ver anúncios que destoam da qualidade da Elle. Marcas que eu, como leitora, acho que não deveriam estar ali, que não se encaixam.
Acontece que a Damyller, ao reestrutar a marca e definir uma nova imagem, passou a figurar nos editoriais da revista.
Aí é outra história.
Pagar por um anúncio só exige grana, mas emplacar uma roupa num editorial de moda exige qualidade ou, no mínimo, exige afinidade com a linha editorial da revista. E, como a Elle é uma das principais revistas de moda do país, acredito que essa afinidade com o editorial pode ser traduzida por qualidade.
Mas esse não é um blog sobre moda. Então porque eu estou falando nisso?
Por que ao assistir ao vídeo da coleção verão 2010 da Damyller eu fiquei pensando sobre esse negócio de reposicionamento.
É perfeitamente possível aplicar a estratégia usada por uma empresa a uma pessoa.
Claro que isso pode ser feito de modo profissional, como fazem as empresas, ou você mesma pode se esforçar e se transformar exatamente na pessoa que você deseja ser.
O mais importante nessa empreitada é o autoconhecimento.
Ter uma definição clara das suas limitações e das suas principais qualidades é o ponto de partida.
Saber exatamente aonde você quer chegar é o primeiro passo.
Se a sua intenção é alterar a imagem, grana ajuda, mas não é fundamental.
Dá pra ficar na moda (ou completamente fora dela, se essa for a sua intenção) gastando bem pouco, mas, nesse caso, a criatividade é imprescindível.
Se a sua intenção vai além de uma mudança da imagem, se você ambiciona se reposicionar no mercado de trabalho, ou, quem sabe, em algum círculo social, precisa apenas de dedicação.
Estude, se informe, delimite seu objetivo através de ações bem pensadas.
E, principalmente, não tenha medo de mudar de rumo, de abandonar um caminho.
A menos que você haja por impulso e não tenha consciencia daquilo que pretende alcançar, não é vergonhoso alterar a rota.
O importante é ser o que você quer ser.
**********
Ah! Este não é um post pago. É apenas a minha insgnificante opinião sobre um assunto que me faz pensar.
É alguem que pensa e que precisa desesperadamente escrever para liberar a cabeça destes pensamentos e enche-la de pensamentos novos, aí precisa escrever de novo e continuar pensando e escrevendo e pensando...