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10/01/2009

Capítulo II - O menino do pijama listrado

Essa história é relativamente nova, então, se eu pretendesse seguir alguma ordem cronológica, ela deveria aparecer lá no final, mas como escrevo aquilo que tenho vontade, vai essa mesmo.

Antes de contar a história preciso explicar uma característica minha.
Fora a alimentação, me recuso a absorver qualquer coisa que me cause dano.
Em outras palavras: eu como muita porcaria, mas não vejo, por exemplo, filme de terror, porque me tira o sono. É poluição mental, como eu costumo chamar.

Há alguns anos descobri que todos os fatos relacionados à 2ª Guerra Mundial me fazem muito mal.
Depois de assistir a vários filmes sobre o famigerado evento, de sofrer com as atrocidades provenientes do mesmo e me contorcer com a dor dos judeus, resolvi que não me submeteria mais a esta angústia.
A guerra já acabou. As pessoas já morreram. e o que eu tinha para aprender sobre a história toda, pelo menos para sustentar uma conversa de buteco sobre o assunto, eu já sei.
Então... chega de 2ª Guerra Mundial.

Agora que vai começar a minha história.

Alguns dias depois do meu aniversário, em 2008, fomos comer uma pizza com um casal de amigos muito queridos. Resultado: um presente.
- Um livro! Que ótimo! Eu adoro livros (é verdade)! Não precisava se preocupar (que coisa mais besta de se dizer)!
Olhei aquele livro com um título bem bonitinho. Tentei dar uma lida rápida nas orelhas, enquanto todos me olhavam, mas não consegui pescar o assunto. Não importa. Livro sempre é bom!
Terminamos a pizza, jogamos mais um monte de conversa fora (sobre os índios também) e nos despedimos.
Enquanto eu e o meu coadjuvante (nem por isso menos importante) voltávamos para casa, fomos conversando sobre o livro.
- Que legal né. Como eles são atenciosos. E eu adoro livros. Só espero que não seja nada so a 2ª Guerra! Seria muito azar!
- Ai amor, não quero dizer nada, mas pijama listrado tá me lembrando 2ª Guerra.
- Não, não. Era só o que me faltava, porque vou ser obrigada a ler o livro porque ganhei de presente. Da próxima vez que nos encontrarmos terei que comentar sobre o livro, senão fica indelicado. Não é não. Aposto que é sobre outra coisa.
Chegamos em casa.
Meu companheiro de berço foi até o banheiro (o que quer dizer que foi ler uma revista inteira enquanto eu espero no quarto) e aproveitei para começar a ler o livro enquanto isso.
É uma história narrada por um menino de 10 anos (acho que é isso). Ele começa contando sobre um jantar importante na casa dele, com convidados especiais.
Fala também sobre o "fúria".
E eu achando que o "fúria" era um cachorro. Sei lá. O que mais poderia ser?
Continuei lendo.
Silêncio total!
O "fúria" não era um cachorro. Simplesmente o menina não sabia falar Führer!
Isso mesmo. O próprio. A encarnação do mal. O diabo do Hittler.
Dei um pulo quando me conta disso. Fechei o livro correndo e larguei na cama como se estivesse repleto de aranhas. Senti vontade de chorar.
Que merda!
O livro era sobre o único assunto que eu detestava, que me fazia tanto mal que eu havia jurado nunca mais me interessar por nada que fosse relativo a ele.
Mas era um presente.
Os amigos eram (e são) tão queridos que eu jamais poderia deixar de lê-lo.
Merda²!
Dormi.
Uma semana depois precisei encarar o problema de frente.
Sentei na poltrona da sala e comecei a ler o livro.
Algumas horas depois fui obrigada interromper a leitura. Afazeres domésticos.
No dia seguinte me grudei naquelas páginas novamente e só larguei quando ele não tinha mais nada a me oferecer.
Êta livrinho bom.
Lá pelo final, acho que umas 10 páginas antes de acabar, dá um frio na barriga quando a gente percebe o que vai acontecer.
Quase morri de chorar. Soluçava.
Mas valeu a pena.
Apesar do assunto, AMEI o livro.
É que o menino consegue narrar fatos da guerra sem sequer tocar nos nomes que nos trazem tanta informação ruim.
Tô esperando a Ana crescer um pouco para oferecer o livro a ela.
Acho que é uma boa contribuição.

6 pensamentos:

brasildobem disse...

Maite, já li o livro e confesso que fiquei impressionada, me comovi demais com a estória desse menino ingênuo e de bom coração e seu final triste adentrando sem saber naquele campo de concentração.
Passe lá no Brasil do bem e pegue seu selo.
Bjs.
Janeisa

Rafaela disse...

obrigada pela dica, irei ler, concerteza. amo livros sobre a guerra. sinto uma empatia muito grande...

estou lendo 'a menina que roubava livros'. é muito bom, pelo menos até onde fui.

bju querida..
aproveite o campus por mim!! rsss

Diego Reigoto disse...

Li o livro e adorei. É muito legal ver que uma cerca pode dividir mundos completamentes diferentes, mas não pode separar uma amizade. E saber o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

Maite Lemos disse...

Janeisa,
O livro realmente é emocionante.
Obrigada pelo selinho e me desculpe por ainda não tê-lo exposto.
É que a minha cabeça ta uma confusão e isso reflete no blog, mas prometo me organizar logo logo.

Bjnho

Maite Lemos disse...

Rafaela,
Leia sim. Tenho certeza que vc vai gostar.
Quanto à menina que roubava livros, comprei sem saber do que assunto tratava.
fiquei frustrada quando percebi que era Segunda Guerra.
Já comecei a lê-lo umas 3 vezes e não consigo terminar, apesar dos diversos elogios que já ouvi a respeito.
Quem sabe mais tarde eu tente de novo.

Bjnho

Maite Lemos disse...

Diego,
Obrigada pela visita e pelo comentário.
Legal tbm é saber q a internet derruba cercas e promove integração entre pessoas que não ocorreria de outr forma.

valeu

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