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11/06/2008

Respeitando decisões

Conheço um número razoável de casais que, embora formalmente juntos, dividindo o mesmo teto, já há algum tempo, não tem filhos.
Tem cachorro. Gato. Piriquito. Papagaio. Tartaruga. Tamaguchi.
Mas não tem filhos.
O pior não é isso.
Quando indagados sobre a data prevista para a chegada da cegonha, afirmam, um pouco tímidos, que ela não vem.
Como assim não vem?
Simplesmente não vem. Um homem e uma mulher, casados, com uma situação financeira estável... que não querem ter filhos.
Confesso que até eu reajo meio mal diante de tal revelação.
Saio logo alardeando sobre as maravilhas de ser mãe, sobre como uma criança enche a casa, como o amor que se sente por um filho é inexplicável e não pode ser comparado a nada neste mundo e mais um trilhão de justificativas que comprovem que a decisão deles está completamente equivocada.
Tudo besteira.
Desde quando duas pessoas não tem o direito de escolher se querem ou não ter filhos?
Desde quando elas são obrigadas a ficar ouvindo conversa fiada de quem tomou sua própria decisão, sem interferência de ninguém, e agora quer obrigar a todos que ajam da mesma forma?
O direito que cada um tem fazer suas próprias escolhas, inclusive quando se trata de ter ou não filhos, é sagrado. Deve ser respeitado acima de qualquer opinião.
Cabe somente ao casal esta decisão.
Apenas as duas pessoas diretamente envolvidas na história devem ser levadas em consideração e, de forma sensata, chegar a um consenso.
Que saco.
Por que uma mulher que, em pleno século XXI, trabalha, paga suas contas, tem uma ou duas faculdades, pós-graduação, mestrado, sonha com um doutorado em outro país, lava a louça, deixa o marido almoçar na casa da sogra (ou pegar marmita no restaurante da esquina), orienta a faxineira, mantem a casa limpa, permite que o marido jogue futebol ou saia com os amigos no mínimo uma vez por semana (nomáximo duas), realiza suas fantasias sexuais (pelo menos as mais acessíveis), e mais um monte de coisas que não to lembrando agora... ainda tem que se obrigar a ter filhos quando não apresenta a menor vontade de ser mãe, ou apenas não está bem certa sobre isso?
Não faz sentido.
Ser mãe, realmente é a melhor experiência do mundo.
Mas isso só funciona para quem, de fato, quer ser mãe.
Quem não quer, não quer e pronto.
Não tem nada de mais nisso. Nada de errado.
Pelo contrário.
É uma decisão muito inteligente e, levando em consideração a sociedade na qual estamos inseridos, que exige coragem para ser tomada.
Só vale a pena ter filhos se esta vontade estiver impressa em sua alma. Para colocar uma criança neste mundo é necessário entregar a vida a esta criança.
Quem não estiver disposto a fazer isto, que não faça.

7 pensamentos:

diego disse...

nosssa
muito legal seu blog

vou passar para todos os meus migos

bjos didi

Anônimo disse...

bom... essa escolha nem sempre acontece... então temos q imprimir essa vontade na alma. mas é realmente maravilhoso... só quem passa por isso sabe....

bjos maite

Paty disse...

Olha amiguinha eu sou um desses casais que nunca terão filhos. Acredito que a escolha de ter ou não ter, vem do momento em que se vive (não só pelo financeiro) e também com quem se vive. Hoje a relação a dois é complicada, é um jogo de poderes o tempo inteiro. Meu sonho sempre foi ter um filho, mas sempre com uma ressalva, se até os 30 eu não tiver não terei mais. E foi isso que aconteceu. Tive um relacionamento onde isso não aconteceu e depois me relacionei com um homem que possui 3 filhos e já fez vasectomia. Descobri que possuo uma doença crônica, que durante uma gravidez teria que parar com o tratamento e isso poderia ser muito prejudicial por ser uma doença auto-imune. O meu caso defino da seguinte maneira...o tempo passou, meus objetivos são outros e meu relacionamento tbm é outro. No momento digo NÃO ! Mas amanhã é um outro momento.

Airton Krauniski disse...

Eu até arrisco a comparar que no processo de criação publicitária esse seria o exemplo típico do uso da estratégia de inversão de expectativas na construção de uma mensagem . Quando algo não acontece como deveria acontecer gera um grande sentimento de estranheza provocando um trauma bem memorável sobre o fato. Mas o questionável, dessa estratégia, é que nem sempre o produto ou serviço é associado ao contéudo da mensagem.

Como você mesmo diz:

"Só vale a pena ter filhos se esta vontade estiver impressa em sua alma."

Vinícius de Moraes dizia que filhos era melhor não tê-los. Se não tê-los como sabê-los. É uma visão masculina que prioriza a razão. Coisa bem diferente da visão feminina que tem elementos emocionais mais presente e atuantes e ser mãe é mais do que emocional é viceral o que justifica sua estranheza.

Cada qual com suas razões para fazer as escolhas e responder por elas...

Parabéns.

Elisa disse...

Maitê, muito bom!
Confesso q mexeu bastante comigo,pois se ainda tenho dúvidas em ter um filho... é q este momento ainda não chegou, e tenho q estar firme nesta decisão, pq depois de tomada deverei estar por inteira a ela.Mas acredito q falta pouco, pq muitos obstáculos já consegui superar rrsss

Beijos Lili!

Fernando Zabot disse...

Legal esse tema.. com certeza quem nao deseja ter filhos por motivo a , b ou c esta enfim tomando a decisao que provavelmente ela sabe que se enquadra melhor na sua vida, eh isso realmente somente a pessoa e o casal sabe. Hoje em dia cada vez mais esta dificil tomar a decisao de casar-se ou nao, quanto mais ter filhos.

Boa!

Jana disse...

Gostei da forma como vc se expressa, sem meias palavras.
Há mulheres que nascem com o dom pra maternidade, outras, ao contrário, nem se esforçando muito conseguem desenvolver esse dom. Melhor respeitar mesmo!
Um beijo e paz!

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