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03/02/2009

A menina que roubava livros



Engraçado como cada coisa tem o seu momento.
Pelo menos comigo acontece assim.
Comprei "A menina que roubava livros" há aproximadamente 1 ano.
Durante uma viagem a Florianópolis.
O comprei mais pela capa, e porque já havia lido seu título em algum lugar. Provavelmente na revista Veja. Talvez.
Mas com certeza conhecia apenas o título. Não tinha noção do conteúdo do livro.
Como a capa era interessante, um desenho bonito e, principalmente, trazia as seguintes palavras "quando a morte decide lhe contar uma história, você deve parar para ouvir".
Impossível resistir, não?
Acontece que cheguei em casa e, animada, fui me deleitar com o tal livro.
Decepção.
Bem feito!
Precisa ser muito burra para não imaginar que a morte tem fortes argumentos para contar uma história sobre a 2ª Guerra Mundial.
A maldita 2ª Guerra Mundial.
Aquela a qual eu jurei nunca mais destinar um milésimo de atenção.
A mesma que há pouco tempo já me engambelou com "O menino de pijama listrado".
Mas desta vez não.
Era só um livro.
R$ 30,00, por aí.
Não vale à pena.
Depois de duas tentativas de avançar pelas páginas descritas tão minuciosamente pela morte, ADEUS.
No entanto, meses depois, mais precisamente ontem, decidi vencer mais este desafio.
Afinal, era só um livro. Não poderia ser tão terrível assim.
Resgatei "a menina", a morte e todas as almas que esta carregava, já pela manhã.
Reiniciei a leitura do ponto mais apropriado. O princípio.
Reli as poucas dolorosas páginas que já havia percorrido.
Desta vez não me rendi.
Li durante todo o dia.
E a noite também.
Faltavam umas 80 páginas apenas quando o sono me venceu. Quase meia-noite. Horário apropriado para encerrar uma narrativa da morte.
Dormi mal.
Acordei e voltei ao livro.
Avancei mais algumas páginas e precisei interromper a leitura.
Há poucas horas pude retomá-la.
Faltava pouco.
E, sinceramente, já não foi nenhum sacrifício. Não precisei mais vencer as páginas, de forma envolvente elas me convidaram a seguir a diante e eu o fiz, agora, com prazer.
As formas que se apresentavam pelas palavras ainda me causaram uma certa repulsa que eu acredito ser proveniente do medo. Medo de gente.
Apenas no final, enchi os olhos de lágrimas em alguns momentos. Mas há alguns anos decidi que não choraria mais pelas vítimas dele (não consigo escrever o nome).
Contive as lágrimas e ouvi a morte até o seu último relato.
Ouvi, sim.
Apesar de ler as palavras, apesar do conteúdo delas me causar repulsa, a narrativa de Markus Zusak é tão terrivelmente envolvente que, em vários momentos, tive a nítida impressão de ouvir a morte sussurar em meus ouvidos.
Não tive medo de ouvir a morte. Ela apenas me contava uma história.
Como eu já disse, tive medo sim, mas medo de gente.
****************
Agradeço à Rafaela e à Cláudia pela dica de que a leitura realmente valia à pena (no sentido literal da expressão).

7 pensamentos:

Rafaela disse...

olha só..
que linda!

é isso aí. vencendo os medos as vitórias são mais saborosas..
dá um tempero...
se bem que o livro não precisa, bom né?!

tava com saudade dos seus posts.
beijos querida!

xD

Maite Lemos disse...

Também tava com saudade de escrever Rafa.
Realmente o livro foi um desafio e, apesar de ter valido a pena, continuo no meu propósito de me manter afastada dos assuntos relativos à tal guerra.

Bjnho

brasildobem disse...

Que bom Maite que vc. venceu esta barreira e conseguiu ir até o fim da leitura e ver a maravilha que é este livro, a doçura da menina, sua ligação com o pai, sua determinação e coragem. Uma lição de vida.
Bjs,
Janeisa

todoyda disse...

Maite, eu também tenho esta aversão a 2 guerra, não gosto nem de ouvir e o pior tenho um marido que adora ver todos os documentários existentes a respeito.
Ele assiste a um canal chamado History Channel que mostra 388 versões diferentes sobre o mesmo tema, mas o interessante é você aceitar que isto te incomodava e ter coragem de prosseguir em uma leitura que não te fazia bem.
É por estas e outras que a coragem nos diferencia de outros seres.
Abraços
Cristiane

Maite Lemos disse...

Janeisa, de tudo, o que mais chamou minha atenção no livro, foi a narrativa envolvente pois, como vc mesma disse, é uma lição de vida, no entanto, é dada pela morte.
Muito interessante.

Olá Cristiane,
É um prazer receber sua visita.
Acho que é a primeira vez, né?!
Meu noivo sofre do mesmo mal do seu marido (o tal interesse descabido por esse período mais do que infeliz na história da humanidade), tbm é fã do History Channel e outras coisinhas que abordem o tema.
Fazer o que?
Ninguém é perfeito!

Bjnhos

Claudia Formentin disse...

Oi Maitê,

fico feliz que tenha lido o livro. Sabe que depois da nossa conversa me deu até vontade de ler novamente! Que bom que no final você gostou. E sabe foi uma coisa que também me chamou a atenção: é uma lição de vida, dada pela morte. Um super abraço! Ah, e os teus textos estão cada dia melhores! Bjos

Maite Lemos disse...

Super obrigada Cláudia.

Bjnho

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