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30/05/2008

Amigos que deixamos pelo caminho

Sou do tipo de pessoa que carrega apenas uma pequena mochila.
Não chego a ser tão leve ao ponto de satisfazer todas as minhas necessidades com uma simples bagagem de mão. Mas também não me encaixo no perfil daqueles que se sacrificam com o peso de uma grande mala.
Estes últimos, mesmo que andem um pouco mais devagar, cheguem um tanto mais cansados e precisem, às vezes, até fazer algum desvio, raramente são pegos desprevinidos. Ao chegarem em seu destino final, quase nada lhes falta.
Já os primeiros, não. Chegam logo onde queriam. Vão pelo caminho mais rápido, mesmo que isso signifique transpor um ou outro obstáculo e estão prontos para tudo, pois nada carregam que os impeça de alterar os planos, portanto, se não trazem uma bagagem apropriada ao novo destino, não se abalam porque para o antigo também estavam despreparados.
Eu me considero bastante prática. Preocupo-me em ter comigo tudo aquilo que julgo necessário. Apenas o necessário.
Suporto tranquilamente em minhas costas o peso da responsabilidade perante aqueles que eu amo. Suporto carregar toda experiência de vida, como um mapa, que me orienta o caminho evitando que ande em círculos e visite novamente erros antigos. Tenho um compartimento especial para o conhecimento obtido, que ainda não está devidamente organizado, confesso. Mas já estou providenciando isto, começando por descartar qualquer informação inútil.
Considero esta bagagem suficiente para mim.
A única coisa da qual sinto falta em alguns momentos é das pessoas que deixei pelo caminho.
Amigos que devido ao espaço que ocupam fui sutilmente descartando.
Também não sou do tipo de pessoa que depois que começa a andar não pára mais.
Adoro a viagem, mas me canso facilmente e, nessas horas, gosto de parar e me deitar recostando a cabeça em minha mochila, especialmente sobre as pessoas que amo.
Às vezes, entre a jornada e o descanso (fundamental para estabelescer criteriosamente os próximos passos), não encontro tempo para dar atenção aos amigos. E é assim, esquecendo deles em um canto qualquer, que mal percebo o momento que ficam para traz.
Hoje sinto falta destas peças que, com um pouquinho de apego formariam uma bela coleção.
Acho que voltarei alguns passos para juntá-los e cuidadosamente acomodá-los em minha mochila.
Mas apenas os verdadeiros, pois descobri que estes se ecaixam em qualquer cantinho.

1 pensamentos:

Nanda disse...

Gosto de pensar nessa metáfora...interessante!!
Diria q minha mochila anda meio fechada a tempos...

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