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14/09/2009

Porque o silêncio vale ouro

Lembra da Maria Mariana?

Aquela menina que escreveu "Confissões de Adolescente" e conseguiu se fazer entender por toda uma geração.
Assisti à peça lá pelos meus 15 anos. Foi uma grande experiência por que, além de ser uma peça super interessante, foi a primeira que eu vi. A primeira que tive a oportunidade de assistir aqui na "cidade universitária" onde eu moro e onde o cinema sempre opta por passar cópias dubladas, mesmo de filmes adultos.
Lembro que o livro, além de virar peça de teatro, virou também uma série de TV que eu adorava.

De lá pra cá já passou muito tempo.
Eu mudei bastante e, pelo visto, ela também.

Quem tem o hábito de tuitar sabe perfeitamente quem é o Cardoso.

Autor do blog Contraditorium (que eu confesso que não conhecia), Cardoso é uma personalidade bastante polêmica.
Pode-se dizer de tudo sobre ele. Menos que não seja inteligente.
Eu confesso que nutro um sentimento bastante ambíguo pelo moço.
Ta bom... eu tenho medo dele!
A começar pelo avatar, que estampa a carinha nada simpático do Dr. House (que é tudo de bom, mas da medinho), já vi (li) o Cardoso dar nos dedos de muita gente.
Sempre com comentários muito ácidos, ele não perdoa.
Por que eu o sigo?
Por alguns fatores consideráveis neste cenário digital, mas, principalmente, porque ele é uma grande fonte de informação.
Não cheguei a comentar, mas o post "Alguém traz o Renoir de volta, por favor" surgiu de uma tuitada dele com o link da foto da modelo real.
Agora ele acabou de me presentear (pra não dizer "me irritar") com o link de uma entrevista da tal da Maria Mariana.
Ah! Entendeu porque que eu to falando nele?!

Então vamos ao que realmente interessa.

A infeliz da Maria Mariana consegue irritar a gregos e troianos.
Irrita às mulheres que optam por não ter filhos, fazendo uso de um direito que lhes cabe e irrita às outras, que se dedicam à maternidade.

Eu engravidei com 22 anos.
Não era uma criança, mas ainda não vivia meu momento pleno, aquele que julgava ideal para ser mãe.
Não foi uma gravidez planejada.
E, mesmo correndo o risco de me arrepender, vou confessar : sou a favor do aborto.
Então porque eu não abortei?
Não foi porque é crime. Foi pelo simples fato de que, apesar de não estar preparada social nem financeiramente, psicologicamente eu já me sentia mãe.
Senti isso desde o primeiro instante que tomei consciência de que aquela coisinha crescia dentro de mim.
E olha que foi logo no começo.
Com duas semanas e meia de gravidez, fiz dois testes de farmácia e um de laboratório e minha vida mudou pra sempre.
A partir dali, nada tinha ou teria mais importância, mais valor, mais significado, do que a ligação que eu mantinha com aquele amontoado de células que se desenvolviam surpreendentemente.
Só to confessando esses detalhes para demonstrar o quanto a maternidade tem valor pra mim.
Tanto valor a ponto de atrasar minha vida profissional em alguns anos e, mesmo assim, me fazer feliz.
Tanto valor a ponto de ser mãe solteira e ser tão feliz que acabamos merecendo (eu e minha pimpolha) o Philippe de presente. Melhor namorado e melhor pai do mundo.

O que eu sei fazer de melhor na vida é ser mãe.

Me dedico a esta tarefa.

Eu erro. Claro.
Mas avalio os meus erros e me concentro em melhorar.

Constantemente analiso minha função de mãe busco atingir os melhores objetivos sempre com o foco no futuro da minha filha.

Passei toda minha gestação ansiando por um parto normal.
Normal mesmo!

Meu sonho, na época, era ter uma vó parteira, dessas que fazem o parto em casa com uma tesoura que passa de geração para geração.

Louca?
Pode ser.
Mas eu achava que isso reforçava a importância de ser mãe.
Louca mesmo.
Também acreditava que pra ser mãe tinha que amamentar.
Sonhava em amamentar minha filha até uns dois anos de idade.
Achava lindo. Ainda acho.
Quando eu ouvia alguma mãe contando que não tinha leite ou que o bebê não pegou o peito eu pensava, quietinha, "coitada, essa aí não nasceu pra ser mãe".

Resumindo a história, eu paguei por toda a minha ignorância.

Minha filha nasceu 20 dias antes do prazo, numa cesariana feita às pressas em decorrência de pré eclâmpsia.
Quase morri e, pra piorar, o médico não pode esperar nem 15 minutos pra anestesiar fazer efeito e eu, por vias tortas, senti as piores dores do parto. Dor de navalha cortando a carne.
Mas, como a maternidade é um verdadeiro milagre e quase sempre que nasce um filho nasce também uma mãe, seja de parto normal ou cesariana, o chorinho da pequena diluiu a minha dor e a lembrança que ficou do momento, apesar dos riscos, é de amor.
Pra melhorar a brincadeira ou, se preferirem, pra diminuir meu carma e minha arrogância pré-maternal, meu leite só durou duas semanas.
Depois disso, o stresse gerado pela relação afetiva indefinida com o doador de cromossomos (é, porque pai é muito mais do isso e o pai da minha filha é o Philippe há muito tempo), que nem cagava, nem desocupava a moita, acabou com o meu leite.
Meu deus! Esses foram os dias mais difíceis de todo o processo.
A decisão de partir para a mamadeira me causou febre e uma dor profunda na alma.
Eu usei um spray que o médico indicou pra descer o leite. Tomei muita água. Tomei cerveja preta e tudo que ensinavam. Só não tomei urina porque não tava na moda dizer que fazia bem pra tudo. De certo, se fosse hoje, tomava.
Não teve jeito.
Com o peito todo rachado. Com febre. Sem leite. E com uma neném de duas semanas chorando de fome, tive que fazer uma madeira de leite em pó.
Que espécie de mãe eu fui, então?
Uma mãe de verdade, posso garantir.
Mãe que faz tudo que está ao seu alcance, mas as vezes não consegue.


Cara Maria Mariana, que pessoa bem afortunada você seria, se não fosse ignorante.

Que bom que você pôde largar a carreira pra se dedicar a criar 4 filhos.
Sabe que este também é o meu sonho?
Infelizmente, por enquanto, ainda não posso fazer isso.
Tive que me reciclar profissionalmente e encarar o mercado de trabalho pra poder, ao lado do meu parceiro (veja bem, "ao lado" não escrevi "atrás" nem "à sombra") dar uma vida razoável para nossa única filha.
Mas, um dia, chegamos lá.
Que bom você pôde passar pela experiência de três partos normais, já que esse era o seu sonho.
Pena que a sua primeira filha não recebeu esta bênção e, sendo assim, segundo o seu próprio raciocínio, você deve ser menos mãe dela do que dos outros três.
Que bom, também, que você pôde amamentar. Eu não tive essa sorte. Não por preocupações estéticas, mesmo porque, amamentando ou não, acabaria aderindo ao silicone mais tarde e meus peitos estariam tão bem quanto estão.
E, se me permite um conselho, acho que seria uma boa você estudar a alternativa do silicone, já que vem amamentando há 9 anos seguidos. Não é pecado, boba.
E, pra concluir, eu concordo com você quanto ao fato de que homens e mulheres não são iguais.
Não gosto dessa história.
Mas, vou lhe contar um segredo: Por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher.
Em outros palavras, já faz tempo que somos nós que seguramos o leme.
Ah! Ia me esquecendo.
Depressão pós parto é uma enfermidade bastante complexa, que nada tem a ver com passar a gestação fazendo compras no shopping.


(Se o post estiver muito irônico, a culpa é do House)

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27/08/2009

Alguém traz o Renoir de volta, por favor


Não sei vocês, mas eu quero ser feliz.
Não que eu seja infeliz. Em geral, minha vida tem transcorrido muito bem, obrigada.
Mas, em alguns momentos, sou tomada por uma sensação aterradora de tristeza.
Basta avistar um apetitoso quitute hipercalórico para que a sirene da depressão dispare e eu me divida entre o prazer de comer e o prazer de vestir.
Mas, porquê?
Eu me pergunto, por que, diabos, não dá pra ser feliz gorda?
Por causa dessa sociedade de merda que me obriga a almejar uma calça 38 como quem anseia por uma vaga no céu.
Ah! Como eram felizes as mulheres de Renoir!

O famoso pintor francês que viveu entre o final do século XIX e início do século XX, retratava suas divas em plenitude da forma.
Roliças, voluptuosas, carnudas, curvilíneas, consistentes, rechonchudas... mulheres reais.
Adoravelmente reais.
Invejavelmente reais.
Desincubidas da hercúlea tarefa de manter o peso abaixo de valores naturalmente humanos, as fofinhas de Renoir podiam despir-se tranquilamente.


Confiantes da sua real beleza, não conheciam o Photoshop e não identificavam por um número, ou nome, cada novo buraquinho que lhes surgia nas coxas.
Não suavam em academias e não desmaiavam de fome.
Não cometiam o sacrilégio de rejeitar um saboroso prato de comida, doce ou salgada, nem recitavam de cor a tabela calórica com todos os alimentos imagináveis incluídos.
E por falar em calorias... como são deliciosas!
Cristo! Eu não sei quem criou os dinossauros (outra hora explico isso), mas quem inventou as calorias, com certeza, foi o diabo.
O coisa ruim provavelmente jogou sobre as mulheres a maldição das calorias para vingar-se dos chifres.
Agora, compadecido com nosso sofrimento, começa a dar ares cansado nos permite uma leve esperança de que dias melhores virão.
A revista norte americana Glamour, especializada no universo feminino, experimentou recentemente a inédita reação de centenas de fãs que, ao se depararem com uma simples fotografia, manifestaram toda a sua admiração e, inclusive, gratidão à revista e ao objeto da foto.
O objeto em questão é, nada mais nada menos, que a modelo Lizzi Miller. E o motivo de todo o seu sucesso nas páginas da Glamour é, simplesmente, sua barriga.
Isso mesmo.
SUA barriga.
Não a barriga de um tratador de imagem mestre nos segredos do Photoshop.
A barriga de Liizi é normal. Como a minha. Como a de praticamente todos vocês.
E eu, como os leitores da revolucionária revista, há muito tempo não me sentia tão bem diante de uma imagem.



É quase um Renoir!



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14/08/2009

Ser ou não ser?

Entrevista com a psicóloga Rozângela Alves Justino nas páginas amarelas da Veja desta semana.


Assunto beeem polêmico.

A psicóloga oferece terapia de cura para o homossexualismo.
Como assim, terapia de cura?

Segundo Rozângela, que, diga-se de passagem, é uma doida varrida, o homossexualismo é um transtorno para o qual existe cura.
Por essa razão, a psicóloga foi censurada publicamente pelo Conselho Federal de Psicologia.
Agora, se é que alguém anda interessado em saber o que eu penso sobre isso, minha opinião de ignorante no assunto é que falta um pouco de bom senso pra essa gente.
A moça, nem se fala, por que doido não tem bom senso mesmo.
Mas essa do Conselho Federal de Psicologia eu não entendi.
Ta certo que eu não sou homossexual.
Também não sou psicóloga.
E, pra piorar, não tenho nenhum amigo mais íntimo que seja gay e possa embasar minhas conclusões sobre o assunto.
Por outro lado, também não tenho nenhum preconceito.
Verdade.
Não gosto muito dessa viadagem de ficar dando gritinho e pulinho no meio da rua. Mas não gosto disso do mesmo jeito que não gosto de mulher muito fresca que tem chilique.
Então acho que não é preconceito.
Ou é preconceito em relação aos dois casos?
Bom... se você continua lendo, deve ser por que, seja por curiosidade, raiva ou falta do que fazer, está interessado na minha opinião.
Então, lá vai.
Eu acho que todo mundo tem direito de ser o que quiser.
Escrevi isso naquele post ali embaixo.
Reafirmo aqui.
Se o cara tá feliz sendo homossexual... ótimo. Deixa ele.
Se ele não ta feliz, mas quer ser homossexual... precisa da ajuda de um profissional pra se aceitar. Pra aceitar a sua verdadeira essência. Pra aceitar que é um pouco diferente daquilo que os pais acharam que ele seria, um pouco diferente dos outros colegas... mas, e daí.
Ele tem todo o direito de buscar sua satisfação onde quer que ele acredite que ela esteja.
Ninguém tem que julgar ninguém.
Ninguém tem que dizer o que ele deve ser.
É uma opção dele.
Tudo bem.
Agora se o cara é homossexual, mas não ta feliz, não é isso que ele quer, não por causa dos outros, mas por que ele mesmo deseja ter uma vida diferente... aí ele não tem direito de tentar mudar?
Eu acho (pelo que tenho observado nessa vida) que a homossexualidade é um assunto muuuuito complexo.
Tem o cara que desde pequenininho demonstra tendências pro negócio. Tem aquele que passa por um trauma, uma experiência ruim, e parti pro outro lado. Tem caso de falta de exemplo. Sei lá.
É muita coisa pra resumir em um único resultado.
Tem que aceitar e pronto.

Eu sou meio acomodada.
Não é uma doença. Nem enxergo como um defeito.
É uma característica minha.
Um pouco por conta do signo. Um pouco por causa de uma criação superprotetora. um pouco por causa do meu metabolismo. Da minha história de vida.
Não sei se nasci assim, ou me tornei com o tempo.
Também nunca liguei muito pra isso.
Mas agora resolvi mudar.
To me esforçando pra ser um pouco mais dinâmica.
Simplesmente por que não to mais satisfeita com essa minha condição.
Não tenho direito de tentar mudar?

Então, se eu tenho esse direito, acho que a polêmica toda em cima da tal terapia de cura do homossexualismo é mais um fruto dessa forçação de barra do politicamente correto.

E não precisa vir me dizer que a moça da entrevista só fala besteira.
Eu concordo.
Acho que ela deveria ser impedida de exercer a profissão por desequilíbrio mental.
Mas isso não muda o que eu penso sobre o assunto.

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22/06/2009

Acorda, tio!


O jornalista Gay Talese é um dos mais célebres representantes do new journalism, modalidade que utiliza técnicas de literatura no relato jornalístico.
Este ano, o afamado senhor é presença confirmada na FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty. Evento que ocorre de 01 a 05 de julho na cidade carioca e é responsável por um nó que vem apertando em meu peito com maior intensidade à medida que a data se aproxima e a minha impossibilidade de participar vem se confirmando.
Mas não quero falar de FLIP. Ano que vem eu vou. Juro.
O caso é que o experiente tiozinho aí de cima concedeu entrevista à Veja na semana passada e, em geral, deu uma aula de jornalismo.
Mas não distribuiu diploma, lamento.
Acertou ao comentar os danos originados pela aproximação da imprensa com o poder e ao criticar a excessiva preocupação com o "politicamente correto".
O problema ocorreu quando o mestre resolveu falar sobre internet.
Falou, falou... e só provou que não entende nada sobre o assunto.
Ao afirmar que a internet gera um lamentável "conhecimento linear", pois as pesquisas no Google focam em um único assunto privando o indivíduo de uma visão ampla de mundo, Talese demonstra inabilidade digital.
Qualquer um mais familiarizado com a web evitaria o equívoco de resumi-la ao Google, ainda que a empresa responsável pelo serviço de busca seja um gigante na área digital, resumir a experiência on line a ela é prova de pouca familiarização com o meio.
Quem busca informação na internet tem por hábito fazer a "varredura" diária dos jornais mais tradicionais que, para garantir posição de destaque no setor de comunicação, já se preocuparam em oferecer na rede a mesma credibilidade pela qual são reconhecidos no papel.
Além disso, o equivocado jornalista resumi os blogs a canais de fofoca.
Infelizmente, este senhor de conhecimento reconhecido e idade avançada deve ter dado uma olhada em alguns blogs há alguns anos.
Com velocidade assustadora a tecnologia vem se transformando e imprimindo o mesmo ritmo frenético à comunicação digital.
Realmente. Quando surgiram, os blogs se resumiam a diários pessoais e páginas de fofocas.
No entanto, o meio vem se profissionalizando e, o que era apenas entretenimento, hoje se obriga a seguir rigorosos critérios éticos.
Jornalistas consagrados e personalidades de diversas áreas tem utilizado os blogs para publicar informação e/ou expressar opinião.
Por ser de fácil utilização, permitindo que qualquer um que não seja um analfabeto tecnológico faça uso de seus recursos e, ao mesmo tempo, oferecer possibilidade ilimitada de divulgação, além de se consagrar como canal de comunicação direta com o público/leitor, a criação de blogs vem atraindo tanto os grandes veículos quanto o cidadão comum.
Esta prática, inclusive, favorece a disseminação daquilo que o próprio senhor Gay Talese defende como o caminho ideal a ser trilhado pelo jornalismo. Ou seja, tira o foco de geração de informação do poder político/econômico e o transfere para os diversos setores da sociedade. Deixa de receber informação manipulada pelos canais oficiais e passa a gerar informação de acordo com a percepção da "vida real".
Por isso, é lamentável que o citado jornalista se contradiga devido ao descuido (ou prepotência) de falar sobre o que não conhece.

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16/03/2009

Em defesa do Bispo

Em primeiro lugar, sou absolutamente a favor do aborto. (mas isto não está em discussão agora)
Em segundo lugar, não tenho religião definida. (mas isto também não está em discussão agora)
O caso é que o tal do bispo que excomungou os envolvidos lá no caso da menina de 9 anos, que abortou os gêmeos, ta sendo mais criticado que o padrasto, que cometeu o estupro. E isso é um grande absurdo.
Gente, o caso é simples.
A Igreja Católica é absolutamente contra o aborto. Em qualquer caso.
Um dos mandamentos da Igreja é não matar e, segundo o entendimento da mesma, a vida inicia a partir da concepção. Portanto, o aborto é um assassinato.
O fato da menina correr risco de vida não muda em nada este quadro. Não se pode salvar uma vida em detrimento de outra.
De acordo com as leis católicas, quem pratica o aborto está automaticamente excomungado.
Ponto.
Se você não concorda com a posição dos bispo excomunguento, lamento, mas você não é católico.
Simples assim.
Quem se propõe a seguir determinada doutrina ou religião deve submeter-se às crenças e tradições da mesma.
Claro que você não é obrigado a concordar com tudo que o Vaticano prega.
O único problema é que deve, então, procurar outra religião.
Ir à missa aos domingos não faz de você um católico. Talvez você concorde com os ensinamentos atribuídos a Cristo, que realmente são dignos de tantos seguidores, mas entenda, além destes ensinamentos tão nobres existe uma série de dogmas que fundamentam as religiões. A proibição do oborto é um deles para a Igreja Católica.
O que nos leva a concluir que o bispo está corretíssimo. Apenas cumpriu a sua tarefa de bispo.

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Perdão

Não foi por falta de consideração que passei os últimos dias sem postar. Também não foi por falta de assunto.
Na verdade, tô um pouco perdida. Muitas possibilidades, as vezes, nos deixam sem saber que caminho seguir.
Conversa fiada. Esquece.
Não tem desculpa mesmo. Pura falta de vergonha na cara.
Pior é que não foi só o Penso em tudo que deixei na mão.
Já contei que fui convidada pelo portal italiano Blogo.it pra escrever no blog Das Marias?
Fiquei felicíssissima!
Aí travei!
Não consigo. Simplesmente não to conseguindo.
Não sei o que que é. Se é medo, preguiça, burrice ou macumba.
Mas calma lá que já dou um jeito nisso.
Além disso, to desempregada ainda, que legal!
Calma que piora.
Continuo a mesma consumista compulsiva de sempre, com o agravante que aí vem o inverno e, com ele, os gastos são muito maiores.
Tenho um mega projeto em mente. Delírios de uma pisciana. Mas, o que é o mundo se não um grande hospício?

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04/01/2009

Somos bichos

Se você está lendo este post, muito provavelmente pertence à mesma espécie que eu.
A espécie dos que tem acesso à internet, dos que sabem ler e escrever, dos que se preocupam em adquirir informação porque possuem a noção do quão importante ela pode ser, dos que dispõem de tempo para usufruir das novas tecnologias, daqueles que pensam, no sentido de que isso corresponde a avaliar riscos e fazer escolhas.
Parabéns!
Por um determinado motivo que eu ignoro, mas pode ser geográfico, financeiro, político ou social - ou todos eles juntos - você não faz parte da espécie de homens (e mulheres... e crianças... e idosos) que nasceram em meio ao caos e foram usurpados de qualquer chance de viver de forma digna, saudável, ao menos razoavelmente condizente com a satisfação das necessidades básicas de qualquer ser humano.
À eles (os da outra espécie) tudo foi negado, desde o princípio.
Atividades que consideramos banais lhes foram reprimidas.
Enquanto escolhemos o melhor restaurante de acordo com a nossa vontade do dia, eles não comem.
Fazem isso não para ficar em forma, mas porque lhes falta comida.
Enquanto deitamos em camas macias, aconchegantes, eles nem dormem.
Não por distração, mas por que existe uma ameaça de que suas casas (talvez prefiramos chamar de tocas) sejam explodidas no vazio da noite.
Eles não assistem televisão nem vão à escola.
Seus meninos não jogam futebol nos terrenos baldios, mas empunham metralhadoras que matam de verdade.
Eles não vão ao cinema. Vão à guerra.
Suas mulheres não fazem compras ou vão à academia, nem trabalham fora de casa ou se dedicam à cursos de artesanato para preencher o tempo enquanto os maridos não voltam do trabalho.
Suas mulheres simplesmente choram a angústia da dúvida de que os companheiros talvez nunca voltem. Depois elas secam as lágrimas e lutam pela sobrevivência dos filhos.
Por que mãe é mãe em todas as espécies.
Eles parecem bichos lá do outro lado do mundo, mas são feitos da mesma matéria que nós. Possuem características físicas iguais e, segundo especialistas, somos considerados da mesma espécie.
Eles são selvagens, e nós?
Somos apenas bichos de estimação.

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31/12/2008

Capítulo I - Fábio Jr. - O primeiro homem que me fez chorar

A primeira versão da novela Cabocla foi ao ar em 1979.
Nesta época eu tinha apenas 1 ano de idade, portanto só posso concluir que o meu grande sofrimento foi gerado por uma reprise da novela. Vale a pena ver de novo.
Eu tinha uns 4 ou 5 anos. Não sei bem.
Eu não costumava assistir novelas. Minha mãe não deixava. Permitia apenas que víssemos o primeiro e o último capítulo de cada novela.
Você deve estar pensando que, com 5 anos, isso até que é razoável.
O problema é que ela manteve esta regra até quase os 18.
Voltando ao Fábio Jr...
Ele e Glória Pires representavam o par romântico da novela Cabocla.
Como a reprise passava durante a tarde, eu não podia sentar para ver a novela inteira, mas sempre que a televisão estava ligada eu dava uma espiadinha, principalmente se o galã estive na tela.
Era apaixonada por ele.
Acontece que eu tenho poucas lembranças desta idade, mas me recordo nitidamente do dia em que Fábio Jr. e Glória Pires se casaram NA NOVELA.
Eu sei que nessa mesma época os dois também casaram na vida real. Mas só tomei conhecimento disso anos mais tarde.
Enfim, ao ver a cena do casamento da cabocla Zuca com Luis Jerônimo - o meu Luis Jerônimo - eu chorei tanto, mas tanto, tanto, que meus olhos incharam e a dor ficou gravada em minha memória até hoje.
Tudo, menos casar.
Eu já havia percebido o namorico dos dois na tela da TV. Mas daí à casar, é bem diferente.
Mas a história não acaba aqui.
Corri para o quarto e lá amarguei minha dor de cotovelo como uma adolescente precoce.
Todos da casa vieram me amparar.
Tentavam me consolar alegando que era "apenas novela". Mas da mesma forma que eu lembro do momento de dor ao assistir o casamento do Fábio Jr., lembro também das risadinhas falsamente contidas de meus familiares diante do meu sofrimento que, provavelmente, julgavam ridículo.
Lembrem que eu tinha entre 4 e 5 anos.
Passavem a mão em minha cabeça e, por cima, se entreolhavam achavam tudo engraçado.
Acho que foi essa lembrança que me fez começar a contar esta história aos quatro ventos.
Não admito virar piada pela boca dos outros!

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27/12/2008

Tire a sua Fé do caminho que eu quero passar com a minha Razão

Juro que estou tentando não perder o respeito, não ferir o direito que cada um tem de manifestar sua fé, seja lá no que for.
Acontece que a crença alheia vale tanto quanto a minha descrença.
Num destes deboches da vida, a casa onde eu moro foi, aos poucos, sendo rodeada de igrejas.
Igrejas de todos os tamanhos, para todos os gostos.
Eu, como não gosto de nenhuma, fico aqui no meu cantinho e respeito os vizinhos fervorosos, portanto, exijo o mesmo respeito da parte deles.
Mas, olha que isso é difícil de acontecer.
Há alguns anos, uma destas igrejas tinha o infeliz costume de fazer uso de caixas de som para amplificar o volume das pregações. Até aí tudo bem. O problema é que as tais caixas ficavam voltadas para a rua. Isso mesmo, para a rua.
Quem queria ouvir lá as histórias de Cristo, ia até a igreja. Quem não queria mas, como eu, morava nos arredores da igreja... era obrigado a ouvir também.
Não tinha saída.
Nunca entendi por que faziam isso. Não favorecia a igreja em nada e desrespeitava aqueles que não partilhavam da mesma fé (ou de fé nenhuma).
Por sorte, alguma alma caridosa com certa influência no grupo rezador em questão acabou sendo iluminada com uma fagulha de razão e a turma aboliu as orações externas.
Agora que o Natal já passou (eu amo o Natal) e o reveillon está perto (e eu não vou para praia, portanto, mais uma vez, será quase como se o ano não virasse) acaba me batendo um banzo. Uma depressãozinha de nada.
Já não gosto muito desta semana entre as duas datas festivas, mas como o sol tem se feito presente e a piscininha de plástico da Ana tá cheia lá no jardim, eu acabou me contagiando com a empolgação das crianças e tenho gasto minhas tardes na árdua missão de me colorir um pouco de sol.
O ritual é sempre o mesmo.
Coloco o biquini, passo protetor solar no rosto, bezunto o resto do corpo de bronzeador, coloco os óculos escuros e, apenas por volta das 16:00h abro a cadeira de praia no jardim e torro por alguns minutos.
Tem rendido bons resultados, até.
Mas a sessão bronze não termina por aí.
Depois que a paciência termina e eu desisto do sol, levanto e vou tomar uma ducha relaxante para tirar o grude do bronzeador.
Foi exatamente nesta hora, a hora do banho, aliás, a sagrada hora do banho que eu tive que me submeter a mais uma manifestação de fé dos vizinhos crentes.
Lá se foi o meu momento de desconectar e deixar as energias boas fluirem pelo corpo enquanto os pensamentos negativos escoam pelo ralo.
Nem um caminhão pipa poderia dar conta de afastar de mim o estresse gerado por aquela gritaria de absurdos reliosos que teimam em pintar de cores sérias um disparate como o exorcismo.
Tá louco.
Se tinha algum diabo por lá, se eles conseguem realmente tirar do coro de um infeliz que se submete ao ridículo o tal capeta... então mandaram lá pro meu banheiro.
Olha que eu fiquei vermelha de raiva e quanto mais eles gritavam mais eu espumava.
Bom, só para mostrar que, mesmo com todas estas provações, eu sou uma pessoa do bem (independente do nome que se dê a ele), respirei fundo, contei até 1.000, xinguei de alguns nomes (mas em um tom baixo, nem ouviram) e resisti à tentação de descer até o estúdio do meu pai e esgaçar a Clara Nunes em um daqueles dançantes pontos de Umbanda.
Para não permitir que a falta de respeito dos moços de fé gere em mim um câncer, apenas vim desabafar aqui.
Obrigada.

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22/12/2008

Nota de repúdio à VIVO

Já falei que eu amo o natal.
Amo o Papai Noel, as renas, os duendes, as pessoas sorridentes pelas ruas com as mãos cheias de sacolas de presentes. Amo o comércio aberto até mais tarde, as casas enfeitadas, os preparativos.
Nem me importo que tudo isso tenha o objetivo específico de estimular o consumismo. Nem me importo que a imagem do velhinho de barbas brancas e roupa vermelha seja fruto de uma campanha publicitária da Coca-Cola. Afinal, eu também amo Coca-Cola.
Tudo nesta época do ano me deixa feliz.

*****

Recebi um envelope da VIVO aqui em casa.
Dentro, um folheto explicativo de uma promoção que eu já havia visto na TV e em revistas.
Acontece que eu não sou muito ligada em celular. Tenho o meu aqui e uso apenas quando preciso.
Detesto falar ao telefone. Faço isso apenas diante de premente necessidade.
Pago um plano pós, mas o mais simples.
Ando pensando em mudar de atitude em relação a isso.
Por causa do blog, tenho estudado a possibilidade de investir em um i-phone.
Por enquanto, são apenas planos.
Mas o tal folheto promocional chegou aqui em casa e parecia tão simples.
Só ligar *9000 e se cadastrar gratuitamente.
Fácil fácil eu ganharia até 10x o número de minutos do meu plano para falar em ligação local com telefone VIVO durante 6 meses.
Ótimo.
Aqui em casa todo mundo é VIVO, o que torna a promoção bastante interessante.
Peguei meu celular, o panfleto e liguei.
Quase foi.
Na hora de cadastrar... CAIU!
Mas isso acontece nas melhores operadoras.
Liguei de novo.
Blábláblá tecle 2, blábláblá tecle 3.
CAIU de novo.
Já devia ter me irritado aí, mas, enfim.... é Natal.
Liguei de novo.
CAIU.
Liguei.
CAIU.
Liguei.
CAIU.
Já era uma questão de honra, então... liguei de novo.
CAIU de novo.
Me mandaram quinhentos números de protocolo por msn.
O que que eu faço com essas porras desses números?
Não dá pra acreditar, mas... eu liguei de novo.
CAIU. CAIU. CAIU.
Puta que pariu!!!!
Não tem espírito de Natal que resista a um inferno de operadora como esta.

*****

Comecei a minha campanha para passarmos todos os celulares aqui de casa para a CLARO.

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10/11/2008

Pobres crianças

Por favor, digam se estou louca.
A Educação Infantil é uma área que, assim como a medicina, muda constantemente.
Teorias aceitas incondicionalmente caem por terra num piscar de olhos.
Aquilo que em um momento se entende como certo, passa a ser questionado no momento seguinte.
Práticas que integram o dia-a-dia dos pais e educadores há muito tempo, de repente perdem o valor ou, o que é pior, se tornam condenáveis.
Acho isso saudável, apesar de que, confesso, me guio mais pelo bom censo do que por teorias.
Exatamente por isso estou preocupada.
Prega o meu bom censo (pelo menos aquele que eu acredito que tenho) que crianças devem ir para escola para aprender coisas saudáveis. Coisas que venham a acrescentar em seu crescimento individual e social.
Devem ser estimuladas a desenvolver características positivas.
Aí que mora a minha dúvida!
Tem sido prática recorrente aqui na minha cidade, especialmente em um bairro, as crianças em idade escolar (principalmente na 4ª série, o que corresponde a, mais ou menos, 11 anos) serem levadas pelas professoras, com o auxílio da Polícia Militar, até uma rodovia movimentada que nos liga ao município vizinho para parar os carros que passam e pedir alguma contribuição, a fim de auxiliar na festa de formatura das mesmas.
Os carros passam devagar, param, as pessoas abrem os vidros sorridentes diante dos pequeninos e, geralmente, sacam alguma moedinha.
As crianças agradecem satisfeitas sob o olhar orgulhoso das educadoras.
Cristo!!!
Me desculpem por despir tal situação de qualquer graciosidade.
Mas a verdade é que nossas crianças estão aprendendo a pedir esmolas.
Eu não aceito.
E você?

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