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30/09/2009

Ah! A Primavera.



Estação do amor...
Do desabrochar das flores...
Estação na qual a natureza resplandece em beleza e a pobre menina rica é capaz de apaixonar-se pelo mendiguinho perneta, conforme Vinicius de Moraes.
Estação coroada pela beleza das flores...

Só se for pra você.
Pra mim, infelizmente, a primavera é a estação da rinite e, onde você vê botões se abrindo, eu vejo partículas de pólen voando no ar. Só esperando para serem inaladas e prontas para dar inicio a um tormento que apenas quem é afligido é capaz de entender.

Fui agraciada com um nariz de dar inveja a qualquer um.
Não é arrogância não. É realismo.
Dois cirurgiões plásticos já o elogiaram, inclusive, propondo utilizá-lo como molde em seus trabalhos.
É perfeito, sim.
Por dentro... pão bolorento.
E só por falar em bolor, ele já coça.
Bolor, poeira, giz, talco, perfume, cigarro, fuligem... pólen.

Aí um engraçadinho olha pro meu nariz e diz:
- Tão bonitinho... pena que não funciona.

Então, por favor, não me venha suspirar de romantismo com o desabrochar das flores da primavera.
Pense que, em todo o mundo, milhares de pessoas estão sofrendo com a garganta praticamente trancada, os olhos ardendo de tanta coceira e o nariz em carne viva de tanto trabalho ao tentar se livrar das partículas incômodas que você alegremente chama de... pólem.
Argh!
E não é rabugice, não.
É Rinite.



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17/09/2009

Desenhando com as palavras

Se amarra em tipografia?


Desculpa, o assunto não é esse.

Esse é apenas um desabafo de alguém que cresceu acreditando que não sabia desenhar.
O sacrifício que era transferir para a folha uma impressão qualquer através de traços que desempenham o milagre da gravura ficou evidente logo nos primeiros anos.

Que triste!

Até o sol ficava estranho. E uma bonequinha, então... piada.
Aí, esse alguém seguiu, consolado por livros, já que a caixa de lápis de cor não servia para muita coisa.
A frustração da infância foi sendo diluída nas páginas dos livros e as palavras, que se mostravam pálidas, foram se colorindo de significados.
A impressão de formas e cores despertadas pelo simples agrupamento das letras começou a clarear possibilidades que não se imaginava.
E então, a descoberta:

- Eu sei desenhar!

Claro!
As letras, desde que bem reunidas, são capazes de produzir palavras que, desconexas, representam visões surrealistas, quando objetivas e reais levam à imagem renascentista ou se exageradamente trabalhadas desenham em rococó.
Textos bem alinhavados remetem a visões detalhadas daquilo que se escreve.
Então, ao escrever, ocorre a busca por transcender os traços tipográficos e transmitir mensagens que, se não tem a forma logo percebida por seus olhos, mas devem pintar sensações em sua alma.

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14/09/2009

Porque o silêncio vale ouro

Lembra da Maria Mariana?

Aquela menina que escreveu "Confissões de Adolescente" e conseguiu se fazer entender por toda uma geração.
Assisti à peça lá pelos meus 15 anos. Foi uma grande experiência por que, além de ser uma peça super interessante, foi a primeira que eu vi. A primeira que tive a oportunidade de assistir aqui na "cidade universitária" onde eu moro e onde o cinema sempre opta por passar cópias dubladas, mesmo de filmes adultos.
Lembro que o livro, além de virar peça de teatro, virou também uma série de TV que eu adorava.

De lá pra cá já passou muito tempo.
Eu mudei bastante e, pelo visto, ela também.

Quem tem o hábito de tuitar sabe perfeitamente quem é o Cardoso.

Autor do blog Contraditorium (que eu confesso que não conhecia), Cardoso é uma personalidade bastante polêmica.
Pode-se dizer de tudo sobre ele. Menos que não seja inteligente.
Eu confesso que nutro um sentimento bastante ambíguo pelo moço.
Ta bom... eu tenho medo dele!
A começar pelo avatar, que estampa a carinha nada simpático do Dr. House (que é tudo de bom, mas da medinho), já vi (li) o Cardoso dar nos dedos de muita gente.
Sempre com comentários muito ácidos, ele não perdoa.
Por que eu o sigo?
Por alguns fatores consideráveis neste cenário digital, mas, principalmente, porque ele é uma grande fonte de informação.
Não cheguei a comentar, mas o post "Alguém traz o Renoir de volta, por favor" surgiu de uma tuitada dele com o link da foto da modelo real.
Agora ele acabou de me presentear (pra não dizer "me irritar") com o link de uma entrevista da tal da Maria Mariana.
Ah! Entendeu porque que eu to falando nele?!

Então vamos ao que realmente interessa.

A infeliz da Maria Mariana consegue irritar a gregos e troianos.
Irrita às mulheres que optam por não ter filhos, fazendo uso de um direito que lhes cabe e irrita às outras, que se dedicam à maternidade.

Eu engravidei com 22 anos.
Não era uma criança, mas ainda não vivia meu momento pleno, aquele que julgava ideal para ser mãe.
Não foi uma gravidez planejada.
E, mesmo correndo o risco de me arrepender, vou confessar : sou a favor do aborto.
Então porque eu não abortei?
Não foi porque é crime. Foi pelo simples fato de que, apesar de não estar preparada social nem financeiramente, psicologicamente eu já me sentia mãe.
Senti isso desde o primeiro instante que tomei consciência de que aquela coisinha crescia dentro de mim.
E olha que foi logo no começo.
Com duas semanas e meia de gravidez, fiz dois testes de farmácia e um de laboratório e minha vida mudou pra sempre.
A partir dali, nada tinha ou teria mais importância, mais valor, mais significado, do que a ligação que eu mantinha com aquele amontoado de células que se desenvolviam surpreendentemente.
Só to confessando esses detalhes para demonstrar o quanto a maternidade tem valor pra mim.
Tanto valor a ponto de atrasar minha vida profissional em alguns anos e, mesmo assim, me fazer feliz.
Tanto valor a ponto de ser mãe solteira e ser tão feliz que acabamos merecendo (eu e minha pimpolha) o Philippe de presente. Melhor namorado e melhor pai do mundo.

O que eu sei fazer de melhor na vida é ser mãe.

Me dedico a esta tarefa.

Eu erro. Claro.
Mas avalio os meus erros e me concentro em melhorar.

Constantemente analiso minha função de mãe busco atingir os melhores objetivos sempre com o foco no futuro da minha filha.

Passei toda minha gestação ansiando por um parto normal.
Normal mesmo!

Meu sonho, na época, era ter uma vó parteira, dessas que fazem o parto em casa com uma tesoura que passa de geração para geração.

Louca?
Pode ser.
Mas eu achava que isso reforçava a importância de ser mãe.
Louca mesmo.
Também acreditava que pra ser mãe tinha que amamentar.
Sonhava em amamentar minha filha até uns dois anos de idade.
Achava lindo. Ainda acho.
Quando eu ouvia alguma mãe contando que não tinha leite ou que o bebê não pegou o peito eu pensava, quietinha, "coitada, essa aí não nasceu pra ser mãe".

Resumindo a história, eu paguei por toda a minha ignorância.

Minha filha nasceu 20 dias antes do prazo, numa cesariana feita às pressas em decorrência de pré eclâmpsia.
Quase morri e, pra piorar, o médico não pode esperar nem 15 minutos pra anestesiar fazer efeito e eu, por vias tortas, senti as piores dores do parto. Dor de navalha cortando a carne.
Mas, como a maternidade é um verdadeiro milagre e quase sempre que nasce um filho nasce também uma mãe, seja de parto normal ou cesariana, o chorinho da pequena diluiu a minha dor e a lembrança que ficou do momento, apesar dos riscos, é de amor.
Pra melhorar a brincadeira ou, se preferirem, pra diminuir meu carma e minha arrogância pré-maternal, meu leite só durou duas semanas.
Depois disso, o stresse gerado pela relação afetiva indefinida com o doador de cromossomos (é, porque pai é muito mais do isso e o pai da minha filha é o Philippe há muito tempo), que nem cagava, nem desocupava a moita, acabou com o meu leite.
Meu deus! Esses foram os dias mais difíceis de todo o processo.
A decisão de partir para a mamadeira me causou febre e uma dor profunda na alma.
Eu usei um spray que o médico indicou pra descer o leite. Tomei muita água. Tomei cerveja preta e tudo que ensinavam. Só não tomei urina porque não tava na moda dizer que fazia bem pra tudo. De certo, se fosse hoje, tomava.
Não teve jeito.
Com o peito todo rachado. Com febre. Sem leite. E com uma neném de duas semanas chorando de fome, tive que fazer uma madeira de leite em pó.
Que espécie de mãe eu fui, então?
Uma mãe de verdade, posso garantir.
Mãe que faz tudo que está ao seu alcance, mas as vezes não consegue.


Cara Maria Mariana, que pessoa bem afortunada você seria, se não fosse ignorante.

Que bom que você pôde largar a carreira pra se dedicar a criar 4 filhos.
Sabe que este também é o meu sonho?
Infelizmente, por enquanto, ainda não posso fazer isso.
Tive que me reciclar profissionalmente e encarar o mercado de trabalho pra poder, ao lado do meu parceiro (veja bem, "ao lado" não escrevi "atrás" nem "à sombra") dar uma vida razoável para nossa única filha.
Mas, um dia, chegamos lá.
Que bom você pôde passar pela experiência de três partos normais, já que esse era o seu sonho.
Pena que a sua primeira filha não recebeu esta bênção e, sendo assim, segundo o seu próprio raciocínio, você deve ser menos mãe dela do que dos outros três.
Que bom, também, que você pôde amamentar. Eu não tive essa sorte. Não por preocupações estéticas, mesmo porque, amamentando ou não, acabaria aderindo ao silicone mais tarde e meus peitos estariam tão bem quanto estão.
E, se me permite um conselho, acho que seria uma boa você estudar a alternativa do silicone, já que vem amamentando há 9 anos seguidos. Não é pecado, boba.
E, pra concluir, eu concordo com você quanto ao fato de que homens e mulheres não são iguais.
Não gosto dessa história.
Mas, vou lhe contar um segredo: Por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher.
Em outros palavras, já faz tempo que somos nós que seguramos o leme.
Ah! Ia me esquecendo.
Depressão pós parto é uma enfermidade bastante complexa, que nada tem a ver com passar a gestação fazendo compras no shopping.


(Se o post estiver muito irônico, a culpa é do House)

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04/09/2009

Thanks, Whitney


Já contei que sou viciada em América/Brasil Next Top Model?
Não, né. Nem deveria.
Mas, eu confesso.
Não perco um episódio.
Tem que ser uma coisa muito séria, compromisso inadiável, pra me tirar da frente da televisão na quinta-feira a noite.
Não acompanho nenhuma novela.
Adoro séries policiais, mas vejo apenas quando dá.
O único programa que interfere na minha agenda é a competição de modelos, sejam elas americanas ou brasileiras.
A versão brasileira, então, nem se fala.
Como eu não sou de perder muito tempo com a mesma mania, acredito que daqui a pouco essa obsessão passe.
Taí o CSI, pra provar isso.
Desde o episódio final de temporada dirigido pelo Tarantino que eu não consigo mais assistir.
Enjoou.
Quanto ao ANTM, não sei explicar o que que eu vejo de bom ali.

Não gosto da Tyra (apresentadora), não simpatizo com nenhum dos outros jurados, inclusive a Paulina Porizkova (modelo que substituiu a Twigg nessa temporada) é uma estúpida.
Cheguei a cogitar abandonar à série ao assistir aos jurados chamarem uma modelo de monstrenga durante uma sessão de eliminação.
Tá certo que a moça era uma monstrenga mesmo. Mas não se diz isso pra ninguém. Principalmente num programa de TV. E, mais principalmente ainda, num programa de beleza.
Mas passou uma semana e lá estava eu de novo. Obcecada.
Tá, Maite. Já provaste que não és tão inteligente quanto parece! E agora?
Agora que eu tô aqui pagando de tapada, consumidora compulsiva de reality show, porque ontem foi a final da 10ª temporada americana e, pela primeira vez, a vencedora foi uma modelo tamanho GG.
O que?
Isso mesmo.

Whitney Thompson se destacou desde o início por ter um rosto lindo e... formas avantajadas.
Não sei onde eu andava com a cabeça durante toda a temporada, por que a Whitney não era a minha favorita.
Até o último momento, não acreditei que ela pudesse ganhar.
Mas ganhou.

E, assim como Lizzi Miller, provou que dá pra ser bonita, muito bonita, sem parecer um palito.
Eu continuo ambicionando recuperar minhas formas da pré-adolescência, assim como tem gente que ambiciona um encontro com deus no dia do juízo final.
Sem chances!
Mas a vitória da moça GG num dos programas mais importantes do mundo sobre beleza me deixou a um passo de jogar a caixa de sibutramina no lixo e ser feliz.
Parabéns Whitney. E obrigada.


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27/08/2009

Alguém traz o Renoir de volta, por favor


Não sei vocês, mas eu quero ser feliz.
Não que eu seja infeliz. Em geral, minha vida tem transcorrido muito bem, obrigada.
Mas, em alguns momentos, sou tomada por uma sensação aterradora de tristeza.
Basta avistar um apetitoso quitute hipercalórico para que a sirene da depressão dispare e eu me divida entre o prazer de comer e o prazer de vestir.
Mas, porquê?
Eu me pergunto, por que, diabos, não dá pra ser feliz gorda?
Por causa dessa sociedade de merda que me obriga a almejar uma calça 38 como quem anseia por uma vaga no céu.
Ah! Como eram felizes as mulheres de Renoir!

O famoso pintor francês que viveu entre o final do século XIX e início do século XX, retratava suas divas em plenitude da forma.
Roliças, voluptuosas, carnudas, curvilíneas, consistentes, rechonchudas... mulheres reais.
Adoravelmente reais.
Invejavelmente reais.
Desincubidas da hercúlea tarefa de manter o peso abaixo de valores naturalmente humanos, as fofinhas de Renoir podiam despir-se tranquilamente.


Confiantes da sua real beleza, não conheciam o Photoshop e não identificavam por um número, ou nome, cada novo buraquinho que lhes surgia nas coxas.
Não suavam em academias e não desmaiavam de fome.
Não cometiam o sacrilégio de rejeitar um saboroso prato de comida, doce ou salgada, nem recitavam de cor a tabela calórica com todos os alimentos imagináveis incluídos.
E por falar em calorias... como são deliciosas!
Cristo! Eu não sei quem criou os dinossauros (outra hora explico isso), mas quem inventou as calorias, com certeza, foi o diabo.
O coisa ruim provavelmente jogou sobre as mulheres a maldição das calorias para vingar-se dos chifres.
Agora, compadecido com nosso sofrimento, começa a dar ares cansado nos permite uma leve esperança de que dias melhores virão.
A revista norte americana Glamour, especializada no universo feminino, experimentou recentemente a inédita reação de centenas de fãs que, ao se depararem com uma simples fotografia, manifestaram toda a sua admiração e, inclusive, gratidão à revista e ao objeto da foto.
O objeto em questão é, nada mais nada menos, que a modelo Lizzi Miller. E o motivo de todo o seu sucesso nas páginas da Glamour é, simplesmente, sua barriga.
Isso mesmo.
SUA barriga.
Não a barriga de um tratador de imagem mestre nos segredos do Photoshop.
A barriga de Liizi é normal. Como a minha. Como a de praticamente todos vocês.
E eu, como os leitores da revolucionária revista, há muito tempo não me sentia tão bem diante de uma imagem.



É quase um Renoir!



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14/08/2009

Ser ou não ser?

Entrevista com a psicóloga Rozângela Alves Justino nas páginas amarelas da Veja desta semana.


Assunto beeem polêmico.

A psicóloga oferece terapia de cura para o homossexualismo.
Como assim, terapia de cura?

Segundo Rozângela, que, diga-se de passagem, é uma doida varrida, o homossexualismo é um transtorno para o qual existe cura.
Por essa razão, a psicóloga foi censurada publicamente pelo Conselho Federal de Psicologia.
Agora, se é que alguém anda interessado em saber o que eu penso sobre isso, minha opinião de ignorante no assunto é que falta um pouco de bom senso pra essa gente.
A moça, nem se fala, por que doido não tem bom senso mesmo.
Mas essa do Conselho Federal de Psicologia eu não entendi.
Ta certo que eu não sou homossexual.
Também não sou psicóloga.
E, pra piorar, não tenho nenhum amigo mais íntimo que seja gay e possa embasar minhas conclusões sobre o assunto.
Por outro lado, também não tenho nenhum preconceito.
Verdade.
Não gosto muito dessa viadagem de ficar dando gritinho e pulinho no meio da rua. Mas não gosto disso do mesmo jeito que não gosto de mulher muito fresca que tem chilique.
Então acho que não é preconceito.
Ou é preconceito em relação aos dois casos?
Bom... se você continua lendo, deve ser por que, seja por curiosidade, raiva ou falta do que fazer, está interessado na minha opinião.
Então, lá vai.
Eu acho que todo mundo tem direito de ser o que quiser.
Escrevi isso naquele post ali embaixo.
Reafirmo aqui.
Se o cara tá feliz sendo homossexual... ótimo. Deixa ele.
Se ele não ta feliz, mas quer ser homossexual... precisa da ajuda de um profissional pra se aceitar. Pra aceitar a sua verdadeira essência. Pra aceitar que é um pouco diferente daquilo que os pais acharam que ele seria, um pouco diferente dos outros colegas... mas, e daí.
Ele tem todo o direito de buscar sua satisfação onde quer que ele acredite que ela esteja.
Ninguém tem que julgar ninguém.
Ninguém tem que dizer o que ele deve ser.
É uma opção dele.
Tudo bem.
Agora se o cara é homossexual, mas não ta feliz, não é isso que ele quer, não por causa dos outros, mas por que ele mesmo deseja ter uma vida diferente... aí ele não tem direito de tentar mudar?
Eu acho (pelo que tenho observado nessa vida) que a homossexualidade é um assunto muuuuito complexo.
Tem o cara que desde pequenininho demonstra tendências pro negócio. Tem aquele que passa por um trauma, uma experiência ruim, e parti pro outro lado. Tem caso de falta de exemplo. Sei lá.
É muita coisa pra resumir em um único resultado.
Tem que aceitar e pronto.

Eu sou meio acomodada.
Não é uma doença. Nem enxergo como um defeito.
É uma característica minha.
Um pouco por conta do signo. Um pouco por causa de uma criação superprotetora. um pouco por causa do meu metabolismo. Da minha história de vida.
Não sei se nasci assim, ou me tornei com o tempo.
Também nunca liguei muito pra isso.
Mas agora resolvi mudar.
To me esforçando pra ser um pouco mais dinâmica.
Simplesmente por que não to mais satisfeita com essa minha condição.
Não tenho direito de tentar mudar?

Então, se eu tenho esse direito, acho que a polêmica toda em cima da tal terapia de cura do homossexualismo é mais um fruto dessa forçação de barra do politicamente correto.

E não precisa vir me dizer que a moça da entrevista só fala besteira.
Eu concordo.
Acho que ela deveria ser impedida de exercer a profissão por desequilíbrio mental.
Mas isso não muda o que eu penso sobre o assunto.

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05/08/2009

Mistura tudo e... chora!


A filhota foi dormir na casa de uma amiguinha e voltou com um papo meio estranho.

- Mamãe, existe exorcismo?

Eu até já tô meio que me acostumando com essas perguntas escabrosas. Nem me assusto mais.

- Mais ou menos, querida. Existe o ato de "tirar o diabo do corpo" das pessoas. O que não existe é o tal "diabo no corpo" mesmo. As vezes as pessoas estão doentes e agem de maneira estranha, o que pode dar a impressão de que não são elas que estão se manifestando ali. É uma doença.
- Mas é fácil pra pegar essa doença, mamãe?
- Não, filha. Essa doença não se pega. Ela acontece na cabeça das pessoas, mas não é transmitida para os outros.
- Mas e a Ivete Sangalo?

Aqui eu me assustei!

- Que que tem a Ivete Sangalo a ver com isso?
- O vídeo dela no Youtube. O vô da minha amiguinha é crente e disse que ela fez aquilo por que tava possuída pelo diabo.
- Mas o que que ela fez, filha?
- Ela ficou colocando a mão na boca e depois disse que quem tava ali não era a Ivete Sangalo.
- Hum... Sabe filha, a Ivete Sangalo trabalha demais. Ela faz muitos shows. Viaja muito. As vezes ela não tem nem tempo de descansar. E, as vezes, quando a pessoa ta muito cansada, acaba tendo alguns problemas. Lá em casa, de vez em quando o computador não dá pau?
- Dá.
- Então, filha, com a cabeça das pessoas pode acontecer a mesma coisa. Se a pessoa não descansa, o cérebro dela pode falhar na hora e ela ter atitudes estranhas. É uma forma de forçar a pessoa a descançar um pouco. Isso se chama estresse.
- Ah! tá. Ta bom.



*********

Sabe que essa história de gripe do porco até já tava me irritando.
Todo mundo num alvoroço por causa dessa gripe e eu lendo em revistas e jornais que a gripe comum mata muito mais gente todos os anos do que essa variação nova.
Ô gentinha pra gostar de fazer drama!
Domingo até levei as crianças ao cinema pra assistir Harry Potter e o Enigma do Príncipe (que por sinal é um nojo. Se eu fosse a autora jamais permitira que transformassem minha obra-prima naquela porcaria).
Nem aí pra gripe, aglomeração de pessoas, lugares fechados...
Aí morre aquela menina no avião e eu realmente começo a me assustar com o negócio.
Seja o que for, nunca ouvi falar sobre uma menina de 15 anos pegar uma gripe e morrer dentro do avião, ao voltar pra casa de uma viagem à Disney.
Sem dúvida, isso é muito estranho.
Pra piorar, uma amiga muito bem relacionada na área da saúde do município me passou informações extra-oficiais de que o negócio é feio mesmo.
Agora posso dizer que estou assustada.
Cancelei a consulta com a dentista da filhota por que o consultório da dentista é dentro do hospital.
Fala sério que eu vou levar minha filha em hospital agora!
Pode ficar até banguela, mas dentista só no verão.
Meu deus! E eu levei as crianças ao cinema domingo pra ver aquela bomba do Harry Potter.
Insana.

*********

Hora de dormir e eu pensando na melhor forma de abordar o assunto.
Quem não conhece a minha filha pode achar que é besteira, mas ela ficou quase um mês sem querer tomar banho (mas tomava) quando o Katrina destruiu New Orleans.
E olha que ela era bem pequena e eu evitava falar sobre isso na sua frente. Mas os jornais noticiavam a todo instante e a pobrezinha acabou absorvendo o medo.
Ela é bem impressionável.

**********

- Filha, a mamãe quer falar contigo. Não precisa ter medo. Mas sabe a gripe que tá todo mundo falando agora... não é todo mundo que pega a gripe que morre, tá... tem muita gente que fica gripada e nem é essa gripe, é uma gripe normal... e tem muita gente que pega essa gripe do porco mesmo e vai no médico direitinho, toma remédio e fica boa. Então não precisa ficar assustada, mas tem que tomar todos os cuidados pra não pegar a gripe. Tem que lavar as mãos várias vezes por dia. Quando for lanchar, tem que lavar a mãozinha. Quando voltar do lanche, tem que lavar. Quando chegar em casa, depois da aula, tem que lavar bem as mãos. Não pode ficar colocando as mãos na boca. Tem que sair de perto se tiver alguém gripado. Tudo isso. Tem que cuidar só, tá?
- Ufa, mamãe! Que susto! Pensei que tu ias dizer que o exorcismo é de verdade. Ô! Me deu um medo.

***********

Claro que eu me matei de rir, né.
Mas, pensando bem, não tem graça.

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22/06/2009

Acorda, tio!


O jornalista Gay Talese é um dos mais célebres representantes do new journalism, modalidade que utiliza técnicas de literatura no relato jornalístico.
Este ano, o afamado senhor é presença confirmada na FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty. Evento que ocorre de 01 a 05 de julho na cidade carioca e é responsável por um nó que vem apertando em meu peito com maior intensidade à medida que a data se aproxima e a minha impossibilidade de participar vem se confirmando.
Mas não quero falar de FLIP. Ano que vem eu vou. Juro.
O caso é que o experiente tiozinho aí de cima concedeu entrevista à Veja na semana passada e, em geral, deu uma aula de jornalismo.
Mas não distribuiu diploma, lamento.
Acertou ao comentar os danos originados pela aproximação da imprensa com o poder e ao criticar a excessiva preocupação com o "politicamente correto".
O problema ocorreu quando o mestre resolveu falar sobre internet.
Falou, falou... e só provou que não entende nada sobre o assunto.
Ao afirmar que a internet gera um lamentável "conhecimento linear", pois as pesquisas no Google focam em um único assunto privando o indivíduo de uma visão ampla de mundo, Talese demonstra inabilidade digital.
Qualquer um mais familiarizado com a web evitaria o equívoco de resumi-la ao Google, ainda que a empresa responsável pelo serviço de busca seja um gigante na área digital, resumir a experiência on line a ela é prova de pouca familiarização com o meio.
Quem busca informação na internet tem por hábito fazer a "varredura" diária dos jornais mais tradicionais que, para garantir posição de destaque no setor de comunicação, já se preocuparam em oferecer na rede a mesma credibilidade pela qual são reconhecidos no papel.
Além disso, o equivocado jornalista resumi os blogs a canais de fofoca.
Infelizmente, este senhor de conhecimento reconhecido e idade avançada deve ter dado uma olhada em alguns blogs há alguns anos.
Com velocidade assustadora a tecnologia vem se transformando e imprimindo o mesmo ritmo frenético à comunicação digital.
Realmente. Quando surgiram, os blogs se resumiam a diários pessoais e páginas de fofocas.
No entanto, o meio vem se profissionalizando e, o que era apenas entretenimento, hoje se obriga a seguir rigorosos critérios éticos.
Jornalistas consagrados e personalidades de diversas áreas tem utilizado os blogs para publicar informação e/ou expressar opinião.
Por ser de fácil utilização, permitindo que qualquer um que não seja um analfabeto tecnológico faça uso de seus recursos e, ao mesmo tempo, oferecer possibilidade ilimitada de divulgação, além de se consagrar como canal de comunicação direta com o público/leitor, a criação de blogs vem atraindo tanto os grandes veículos quanto o cidadão comum.
Esta prática, inclusive, favorece a disseminação daquilo que o próprio senhor Gay Talese defende como o caminho ideal a ser trilhado pelo jornalismo. Ou seja, tira o foco de geração de informação do poder político/econômico e o transfere para os diversos setores da sociedade. Deixa de receber informação manipulada pelos canais oficiais e passa a gerar informação de acordo com a percepção da "vida real".
Por isso, é lamentável que o citado jornalista se contradiga devido ao descuido (ou prepotência) de falar sobre o que não conhece.

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16/03/2009

Perdão

Não foi por falta de consideração que passei os últimos dias sem postar. Também não foi por falta de assunto.
Na verdade, tô um pouco perdida. Muitas possibilidades, as vezes, nos deixam sem saber que caminho seguir.
Conversa fiada. Esquece.
Não tem desculpa mesmo. Pura falta de vergonha na cara.
Pior é que não foi só o Penso em tudo que deixei na mão.
Já contei que fui convidada pelo portal italiano Blogo.it pra escrever no blog Das Marias?
Fiquei felicíssissima!
Aí travei!
Não consigo. Simplesmente não to conseguindo.
Não sei o que que é. Se é medo, preguiça, burrice ou macumba.
Mas calma lá que já dou um jeito nisso.
Além disso, to desempregada ainda, que legal!
Calma que piora.
Continuo a mesma consumista compulsiva de sempre, com o agravante que aí vem o inverno e, com ele, os gastos são muito maiores.
Tenho um mega projeto em mente. Delírios de uma pisciana. Mas, o que é o mundo se não um grande hospício?

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22/12/2008

Nota de repúdio à VIVO

Já falei que eu amo o natal.
Amo o Papai Noel, as renas, os duendes, as pessoas sorridentes pelas ruas com as mãos cheias de sacolas de presentes. Amo o comércio aberto até mais tarde, as casas enfeitadas, os preparativos.
Nem me importo que tudo isso tenha o objetivo específico de estimular o consumismo. Nem me importo que a imagem do velhinho de barbas brancas e roupa vermelha seja fruto de uma campanha publicitária da Coca-Cola. Afinal, eu também amo Coca-Cola.
Tudo nesta época do ano me deixa feliz.

*****

Recebi um envelope da VIVO aqui em casa.
Dentro, um folheto explicativo de uma promoção que eu já havia visto na TV e em revistas.
Acontece que eu não sou muito ligada em celular. Tenho o meu aqui e uso apenas quando preciso.
Detesto falar ao telefone. Faço isso apenas diante de premente necessidade.
Pago um plano pós, mas o mais simples.
Ando pensando em mudar de atitude em relação a isso.
Por causa do blog, tenho estudado a possibilidade de investir em um i-phone.
Por enquanto, são apenas planos.
Mas o tal folheto promocional chegou aqui em casa e parecia tão simples.
Só ligar *9000 e se cadastrar gratuitamente.
Fácil fácil eu ganharia até 10x o número de minutos do meu plano para falar em ligação local com telefone VIVO durante 6 meses.
Ótimo.
Aqui em casa todo mundo é VIVO, o que torna a promoção bastante interessante.
Peguei meu celular, o panfleto e liguei.
Quase foi.
Na hora de cadastrar... CAIU!
Mas isso acontece nas melhores operadoras.
Liguei de novo.
Blábláblá tecle 2, blábláblá tecle 3.
CAIU de novo.
Já devia ter me irritado aí, mas, enfim.... é Natal.
Liguei de novo.
CAIU.
Liguei.
CAIU.
Liguei.
CAIU.
Já era uma questão de honra, então... liguei de novo.
CAIU de novo.
Me mandaram quinhentos números de protocolo por msn.
O que que eu faço com essas porras desses números?
Não dá pra acreditar, mas... eu liguei de novo.
CAIU. CAIU. CAIU.
Puta que pariu!!!!
Não tem espírito de Natal que resista a um inferno de operadora como esta.

*****

Comecei a minha campanha para passarmos todos os celulares aqui de casa para a CLARO.

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10/11/2008

Pobres crianças

Por favor, digam se estou louca.
A Educação Infantil é uma área que, assim como a medicina, muda constantemente.
Teorias aceitas incondicionalmente caem por terra num piscar de olhos.
Aquilo que em um momento se entende como certo, passa a ser questionado no momento seguinte.
Práticas que integram o dia-a-dia dos pais e educadores há muito tempo, de repente perdem o valor ou, o que é pior, se tornam condenáveis.
Acho isso saudável, apesar de que, confesso, me guio mais pelo bom censo do que por teorias.
Exatamente por isso estou preocupada.
Prega o meu bom censo (pelo menos aquele que eu acredito que tenho) que crianças devem ir para escola para aprender coisas saudáveis. Coisas que venham a acrescentar em seu crescimento individual e social.
Devem ser estimuladas a desenvolver características positivas.
Aí que mora a minha dúvida!
Tem sido prática recorrente aqui na minha cidade, especialmente em um bairro, as crianças em idade escolar (principalmente na 4ª série, o que corresponde a, mais ou menos, 11 anos) serem levadas pelas professoras, com o auxílio da Polícia Militar, até uma rodovia movimentada que nos liga ao município vizinho para parar os carros que passam e pedir alguma contribuição, a fim de auxiliar na festa de formatura das mesmas.
Os carros passam devagar, param, as pessoas abrem os vidros sorridentes diante dos pequeninos e, geralmente, sacam alguma moedinha.
As crianças agradecem satisfeitas sob o olhar orgulhoso das educadoras.
Cristo!!!
Me desculpem por despir tal situação de qualquer graciosidade.
Mas a verdade é que nossas crianças estão aprendendo a pedir esmolas.
Eu não aceito.
E você?

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