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24/09/2008

Mundo real

Comecei a me ligar em projetos sociais por causa da minha filha.
É simples.
Acredito que o mundo no qual ela viverá amanhã está sendo construído hoje.
Aí você pode me dizer que não entendeu, pois se ela já tem sete anos, porque estou falando sobre um "mundo no qual ela viverá amanhã"?
Acontece que hoje ela vive em um mundo perfeito que eu tenho o privilégio de poder lhe proporcionar. Mas amanhã este mundo será pequeno para ela, então ela irá buscar o seu espaço no tal mundo real.
Se hoje eu deixar as coisas como estão, ficar esperando pelos outros e entender que não tenho responsabilidade nenhuma em relação aos problemas sociais que nosso país enfrenta, amanhã pode ser tarde para fazer alguma coisa e contribuir para que a minha filha vida continue vivendo num mundo que valha a pena.
Então, como vocês podem ver, eu realmente não sou boazinha. Estou apenas pensando em mim.

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23/09/2008

Projeto Cinderela

Nem sei como ainda não escrevi várias páginas sobre esse projeto.
Acontece que o blog existe para que eu possa expressar aquilo que penso.
E, nos últimos tempos, não existe nada em que eu pense mais do que no Projeto Cinderela.
Já vou explicar.
O Projeto Cinderela é uma iniciativa do Rotary Club de Capivari de Baixo e da Associação das Senhoras de Rotarianos que tem por objetivo favorecer dez meninas (carentes) do município com uma série de ações.
A "cereja do bolo" deste projeto é um Baile de Debutantes, mas o recheio tem preocupações bem mais significativas. A idéia é oferecer uma série de cursos técnicos e encaminhar as meninas para uma profissão.
Acontece que eu fui presenteada pelo Rotary com a organização desse conto de fadas.
Tenho convivido com as Cinderelas e isto é realmente enriquecedor.
Uma bagagem profissional valiosa e uma experiência de vida gratificante.
Um projeto tão especial que merece um espaço próprio.
Para tanto, estamos criando o blog "Projeto Cinderela".
Acredito que a partir de amanhã todos possam participar dessa experiência através do endereço www.projetocinderela.blogspot.com

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22/09/2008

Quanto vale o meu voto?

A eleição está chegando e é impossível não sentir o clima de tensão no ar.
Claro que para um número imenso de pessoas o resultado das urnas não influencia em nada a rotina diária.
Pelo menos não influencia diretamente.
Mas quem não conhece aquele texto do poeta alemão Bertold Brecht sobre o analfabeto político?
Brecht analisa que da ignorância política alardeada por muitos com orgulho nasce a prostituta, o menor abandonado e, principalmente, o político corrupto.
Mesmo assim, ainda tem gente que negocia o voto por gasolina, remédio ou cesta básica.
O complicado é que o ato de escolher nossos representantes, por mais importante que seja, não é tão imprescindível quanto a necessidade de alimento ou remédio.
Mas tirando estes casos drásticos, que merecem uma análise mais apurada, o fato é que vivemos em um país com uma história relativamente recente de ditadura militar.
Um período no qual centenas de pessoas morreram em nome da liberdade.
Liberdade de expressar opiniões em todos os sentidos.
Centenas de pessoas morreram pelo meu direito de votar.
É por isso que eu teimo em dizer que O MEU VOTO NÃO TEM PREÇO.

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04/08/2008

A República em Laguna, Anita Garibaldi e Tiago Lacerda

O espetáculo A República em Laguna é a encenação de um fato histórico, ocorrido na litorânea cidade catarinense de Santo Antonio dos Anjos da Laguna, hoje, infelizmente, com o nome simplificado para Laguna, apenas.
A meu ver, com o enfoque equivocado.
Em Julho de 1839 os revolucionários Farrapos proclamaram, em Laguna, a República Juliana.
Davi Canabarro e outros, entre eles Giuseppe Garibaldi, anunciaram a independência do estado catarinense, sediando na cidade de Anita a nova república.
Em meio aos acontecimentos o exilado comandante italiano conheceu e se apaixonou por uma nativa conhecida por Aninha do Bentão.
A história de amor dos dois sobreviveu a derrota farroupilha e ainda a mais duas guerras.
Aninha tornou-se Anita Garibladi, heroína de dois mundos (ou três).
E há alguns anos estes fatos vêm sendo narrados por uma mistura de teatro, música e vídeo às margens da Lagoa de Santo Antonio.
Este ano o ator Tiago Lacerda foi contrado para interpretar o galante Garibaldi e, por conta disto, o povo lá de casa, motivado pela admiração que minha mãe nutre pelo "talento" do moço, foi, finalmente, assistir ao show.
Valeu a pena.
O ator global é realmente lindo. Carismático.
Mas o que me incomoda é o fato de sua beleza enfraquecer a relevância de uma acontecimento histórico da magnitude da tomada de Laguna.
Grande parte dos espectadores pagou ingresso e se espremeu naquela arquibancada maldita apenas para ver o galã.
Além disso, a história de amor interpretada por Tiago Lacerda e sua esposa, que descreve o caminho traçado pela aventureira Anita até sua morte na Itália também é linda.
Mas, novamente, o que me incomoda é que tal relacionamento suplante aquilo que deveria ser o mais importante para o povo de Laguna.
A República em Laguna é o verdadeiro acontecimento espetacular de tudo isto.
Anita Garibaldi, Giuseppe e Tiago Lacerda deveriam ser meros coadjuvantes de uma história que tem como protagonista a coragem de um povo a frente de seu tempo.
Que Laguna se orgulhe de receber um ator global é aceitável, afinal, é algo que não acontece todo dia.
Que se orgulhe de ser o berço (controverso) de uma guerreira que conquistou fama em outro continente é compreensível.
Mas que não se esqueça que aqueles que perderam a vida por seus ideais e alçaram o nome da cidade a um posto de destaque na história nacional devem ser a verdadeira razão de orgulho, acima de qualquer romance ou rosto bonito.

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09/07/2008

Tsuru

Tsuru é um origami.
Um pássaro feito através de dobradura.
Segundo a lenda japonesa, o pássaro vive 1.000 anos e se você fizer 1.000 pássaros mentalizando um desejo, ele se realizará.
Atualmente o Tsuru também é considerado um símbolo da paz.
A relação do pássaro com a paz começou depois da explosão da Bomba de Hiroxima.
As pessoas que se encontravam próximas ao local de explosão da Bomba morreram imediatamente, incineradas.
Porém, aquelas pessoas que estavam há alguns quilômetros de distância, a princípio não manifestaram nenhum sofrimento, mas foram contaminadas pela radiação e com o passar do tempo os sintomas começaram a aparecer.
Uma destas pessoas era a menina Sadako Sasaki, que na época da explosão tinha apenas 2 anos de idade. Aos 12 anos a doença de Sadako começou a se manifestar e ela foi hospitalizada, descobrindo que sofria de leucemia.
A menina, que conhecia a lenda das 1.000 dobraduras, passou os últimos dias de vida confeccionando os 1.000 Tsurus.
Infelizmente Sadako morreu, mas seus coleguinhas de escola, sensibilizados pela resignação da amiga, resolveram iniciar uma campanha para arrecadar fundos para a construção de um monumento em homenagem às vítimas da Bomba Atômica.
Conseguiram mobilizar mais de 3.000 escolas no Japão e 9 em outros países.
O dinheiro arrecadado foi suficiente para a construção do monumento que fica no Parque da Paz e é conhecido como "Monumento das Crianças pela Paz".
Tradicionalmente pessoas do mundo todo visitam o monumento e penduram ao seu redor vários Tsurus.
A inscrição "Este é o nosso grito. Esta é a nossa Prece. Construir a Paz no Mundo que é nosso" lembra a todos os visitantes que mais do que um ponto turístico aquele é um local de conscientização.
E eu, apesar de cultivar há muito tempo o hábito de dobrar qualquer pedacinho de papel até se transformar neste delicado pássaro que bate as asas, apenas agora entendi a história de dor e esperança que sustenta as dobras do papel.
Quanto a lenda, talvez alguns desejos não se realizem nem depois dos 1.000 Tsurus, mas acredito que qualquer coisa que seja elaborada com a mente voltada a um pensamento positivo produz energia positiva, coisa que nos dias de hoje (na verdade, em qualquer tempo) é sempre bem vinda.

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08/07/2008

Deus e o Diabo

A pequena Ana me perguntou ontem, na hora do almoço,entre uma garfada e outra, quem é Deus?
Tranquilamente conclui o caminho do garfo, o levei até a boca, mastiguei a comida, engoli e, tentando ser o mais natural possível, respondi.

- Bom, depende. Depende da religião que se tem.
- Como assim?
- Cada religião vê Deus de um jeito. Cada um vê como quer.
- ?
- Para alguns, Deus é a natureza.
- Então Deus é aquela árvore?
- É. Pode ser. Mais ou menos. É quem fez aquela árvore.
- Quem fez o rio também?
- É.
- Ah! Entendi. Deus é quem faz as coisas da natureza.
- Para algumas pessoas, sim.
- Então tu também és Deus, mamãe. Por que tu me fizeste.
- ~~~~! Sou. Acho que sou.

E experimenta dizer que eu não sou.
Todas as mães são Deusas.
Geram vida.
Todos os pais que se empenham na tarefa de ser pai são Deuses.
Geram um ambiente propício ao desenvolvimento de um ser.
Todas as esposas, namoradas, amantes são Deusas.
Geram uma história de amor.
Todos os professores conscientes de seu papel de educar são Deuses.
Geram a busca pelo saber.
Todas as cabeleireiras e manicures são Deusas.
Geram beleza. O que é fudamental.
Enfim. Cada um é Deus em seu universo.
E o Diabo é pegar uma coisa tão simples como esta e complicar.

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07/07/2008

A bondade que escraviza

Tenho pena dos bonzinhos!
Ser bonzinho é f...
Me assusta a facilidade com que algumas pessoas abrem mão de seus próprios interesses simplesmente para satisfazer a vontade alheia.
Não que você não possa fazer algo que não seja em benefício próprio.
Pode. E deve.
Mas somente quando não interferir, ou melhor, prejudicar o bom andamento da sua vida.
É louvável ajudar os outros.
Mas tenha sempre em mente que por mais que faça, nunca será suficiente.
Doar-se é um ato contínuo, incessante, que exige cada vez mais dedicação daquele que se propõe a desempenhá-lo.
O bonzinho é, acima de tudo, um incansável.
Não adianta nada fazer o melhor durante uma vida toda e depois negar algo uma única vez.
Vai tudo para o ralo.
A bondade é um sacerdócio que deve ser abraçado até o último dos dias, em todos os momentos, em qualquer situação.
Aqueles que recebem escravizam o bonzinho de forma que ele sempre esteja preparado para servir.
Existem verdadeiros profissionais na arte de explorar um bonzinho.
São vampiros que não se esforçam em buscar o próprio sucesso e estão sempre a caça de desculpas para o fracasso que vivenciam.
Têm no bonzinho a vítima perfeita.
Sugam o coitado durante anos a fio e, quando a exploração fica evidente e não podem mais continuar, inventam uma desculpa qualquer, normalmente com o pedido humilde de algo humanamente impossível mas que, ao ser negado, é o pretexto perfeito para afastar-se da vítima alegando falta de sensibilidade e compaixão.
Uma piada!
Nem preciso dizer que não tenho nada de boazinha, né.
Mas, quer saber, vivo feliz assim, longe dos sugadores e oportunistas.

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